Arquivo da categoria: Répteis e Anfíbios

Informações sobre os répteis e anfíbios de Portugal.

Víbora-de-Seoane (Vipera seoanei)

A víbora-de-Seoane é a serpente mais ameaçada de Portugal, ocorrendo apenas o esxtremo Noroeste do país. É uma espécie venenosa, no entanto ataca apenas se for perturbada, pois a primeira opção é sempre a fuga. 

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Víbora-de-Seoane adulta.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Viperidae
Género: Vipera
Espécie: Vipera seoanei

Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Em Perigo” (EN), pois a espécie tem uma distribuição muito reduzida. Apresenta fragmentação elevada e, como se não fosse suficiente, a qualidade do habitat e o número de indivíduos têm diminuído. Mundialmente está classificado como “Puco Preocupante” (LC).
A víbora-de-Seoane ocorre no extremo Norte da Península Ibérica, desde o litoral Oeste de Espanha até aos Pirenéus Franceses. Em Portugal ocorre numa área extremamente reduzida, em núcleos no Noroeste, nomeadamente nas Serras de Castro Laboreiro, Soajo, Tourém, Larouco e Montalegre (pode ver o mapa de distribuição aqui).
Habita preferencialmente zonas de lameiros, prados e matos rodeados por muros de pedra, com cobertura arbustiva baixa, mais ou menos densa, na proximidade de cursos de água. Pode ainda ocorrer em zonas de floresta.
É uma espécie diurna, mas pode apresentar atividade crepuscular ou noturna durante os meses mais quentes do ano. Tal como grande parte dos restantes répteis hiberna, desde finais de outubro-novembro até fevereiro-março, período que pode variar de acordo com as condições climáticas de cada ano e com a altitude. Tem vários predadores naturais, dos quais se destacam a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), a raposa (Vulpes vulpes), a lontra (Lutra lutra) e o gato-bravo (Felis silvestris). Quando ameaçada opta sempre pela fuga, no entanto quando não o consegue fazer opta por um comportamento agressivo e pode chegar a morder.
É uma espécie venenosa solenoglifa, o que significa que os dentes inoculadores estão situados na região anterior do maxilar. O seu veneno, tal como o da víbora-cornuda (Vipera latastei), não é muito forte comparado com o de outras víboras, mas deve-se ter especial preocupação com crianças, idosos e indivíduos alérgicos ao veneno. É importante salientar que estes animais só mordem se se sentirem apertados ou se alguém os tentar apanhar, pois a primeira opção é sempre a fuga e, por isso, desaparecem mesmo antes de os vermos.
Pode sobreviver até aos 13 anos de idade.
Em Portugal ocorre a subespécie nominal (V. s. seoanei).
Alimentação: apresenta uma dieta muito variada, na qual se incluem micromamíferos, répteis, anfíbios e aves (passeriformes).

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Víbora-de-Seoane adulta.

Identificação
Comprimento: entre 45-50 cm.
A víbora-de-Seoane é uma víbora de pequeno tamanho, com corpo robusto, cauda curta e cabeça triangular bem diferenciada do tronco. O dorso está coberto por escamas carenadas e as placas cefálicas são fragmentadas. A pupila é vertical e a íris é dourada ou avermelhada. O dorso é cinzento, castanho claro ou bege, com uma banda vertebral mais escura e de largura variável, à qual se juntam umas manchas escuras, que podem ser opostas ou alternadas, formando bandas transversais ou um zigue-zague respetivamente. Na parte posterior da cabeça é comum existirem duas manchas escuras que formam um “V” invertido e nos flancos surgem frequentemente manchas arredondadas, também escuras. O ventre é negro ou acinzentado, com manchas esbranquiçadas. Alguns indivíduos são todos pretos.
As fêmeas atingem um tamanho ligeiramente superior ao dos machos, que normalmente apresentam cores e desenhos mais contrastados.
Esta espécie pode ser confundida com a víbora-cornuda, mas distingue-se por apresentar o focinho menos proeminente e a cabeça menos triangular.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Diferença no focinho entre a Víbora-de-Seoane (esquerda) e a víbora cornuda (direita).

Reprodução
Existem duas épocas de reprodução e os acasalamentos ocorrem nos meses de abril e maio e entre agosto e outubro. O número de crias por ninhada depende do tamanho da fêmea, variando entre 3 e 10 crias. A maturidade sexual é alcançada aos 3 ou 4 anos de idade, quando atinge cerca de 30 a 40 cm de comprimento.

Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Almeida., N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., and Almeida, J.T.F.F. (2001). Guia FAPAS Anfíbios e Répteis de Portugal. (FAPAS, Porto)
Godinho, R., Teixeira, J., Rebelo, R., Segurado, P., Loureiro, A., Álvares, F., Gomes, N., Cardoso, P., Camilo-Alves, C., and Brito, J. (1999) Atlas of the continental Portuguese herpetofauna: an assemblage of published and new data. Rev. Esp. Herp. 13:61-82
http://naturlink.sapo.pt/Lazer/Turismo-na-Natureza/content/Picadas-e-mordeduras-de-animais/section/5?bl=1&viewall=true#Go_5 http://www.iucnredlist.org/details/61594/0

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Licranço (Anguis fragilis)

Este é um dos casos em que se pode dizer que as aparências iludem. O licranço (Anguis fragilis) é um lagarto sem membros,  susceptível de ser  confundido com cobras pelas pessoas menos experientes na matéria. Estes répteis  são completamente inofensivos e não são venenosos como muita gente pensa.

 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Anguidae
Género: Anguis
Espécie: Anguis fragilis
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC). A utilização de pesticidas e a destruição de habitat são as principais ameaças, no entanto, o atropelamento também é responsável por elevadas taxas de mortalidade.
O licranço está amplamente distribuído pela Europa (exceto Escandinávia, Irlanda e ilhas mediterrâneas), Turquia, Irão e Rússia, sendo a sua presença no Norte de África um pouco duvidosa. Em Portugal ocorre no Norte e Centro do país, sendo o seu limite meridional a Serra de Sintra e a Península de Setúbal.
Preferencialmente habita locais com alguma humidade como prados e sub-bosques, com abundante cobertura vegetal. Também pode ocorrer em zonas cultivadas. Evita locais muito expostos e secos, assim como locais permanentemente alagados e refugia-se debaixo de troncos, pedras e galerias de roedores. É possível observar esta espécie tanto ao nível do mar como em regiões montanhosas, até aos 1800 m na Serra da Estrela.
O licranço tem hábitos crepusculares ou noturnos, mas quando em condições de temperatura e humidade moderadas, pode ser observado durante o dia.
Trata-se de uma espécie que está ativa desde Março/Abril até Outubro/Novembro, invernando durante o resto do ano. Em comparação com os restantes répteis é bastante resistente ao frio. Durante o período de hibernação utiliza refúgios subterrâneos, que pode partilhar com outros répteis da mesma espécie e/ou com répteis de espécies diferentes.
A longevidade desta espécie é bastante grande, existindo registos de indivíduos que em cativeiro sobreviveram durante 54 anos. Como principais predadores incluem-se mamíferos (como a lontra (Lutra lutra), a raposa (Vulpes vulpes), a gineta (Genetta genetta), o texugo (Meles meles) e o javali (Sus scrofa)), aves de rapina, numerosas cobras e o sardão (Timon lepidus).
Ao contrário do que muita gente pensa esta não é uma espécie venenosa, é absolutamente inofensiva, cujo o seu principal mecanismo de defesa consiste na capacidade de autotomia da cauda.
Alimentação: Invertebrados como caracóis, lesmas, minhocas, aranhas e insetos. Ocasionalmente os adultos podem predar urodelos, pequenas cobras, lagartixas e até mesmo juvenis da mesma espécie.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: normalmente 230 mm, no entanto pode passar os 290 mm.
Réptil serpentiforme, desprovido de membros, com pescoço pouco percetível, focinho arredondado e cabeça pequena. A cauda é muito comprida, do mesmo tamanho que o corpo, ou até mesmo superior em alguns casos. O corpo está coberto de escamas lisas e brilhantes, que transmitem alguma fragilidade, e na zona pré-anal existem 4 escamas diferenciadas (escamas pré-anais).
O dorso é acinzentado, castanho-escuro ou creme, com reflexos metalizados e uma linha vertebral escura. A região ventral é cinzenta ou negra.
Os flancos são da mesma cor que o dorso no caso dos machos e são marcadamente mais escuros no caso das fêmeas. Nos machos predominam desenhos mais uniformes e menos contrastados e podem aparecer pequenos ocelos azuis. Estes também são mais robustos que as fêmeas e têm a cabeça maior e mais diferenciada do resto do corpo.

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Reprodução
A época de reprodução inicia-se em abril e prolonga-se até junho, período e que é habitual ocorrerem lutas entre machos. Para iniciar a cópula, o macho mordisca a fêmea na parte anterior do corpo e, de seguida, entrelaça a sua cauda na da fêmea, ocorrendo o acasalamento. O licranço é ovovivíparo, nascendo 6 a 22 crias entre Agosto e Outubro. No caso dos machos, a maturidade sexual é alcançada após 3 anos de idade e após 4/5 anos, no caso das fêmeas. No entanto, estas não se reproduzem todos os anos.
 
Bibliografia
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Almeida., N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., and Almeida, J.T.F.F. (2001). Guia FAPAS Anfíbios e Répteis de Portugal. (FAPAS, Porto)
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Licranco?bl=1&viewall=true#Go_1

Salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra)

A salamandra-se-pintas-amarelas é um anfíbio bem conhecido por todos nós. Infelizmente estas salamandras são alvo de mitos que não lhes traz boa fama; ainda há quem pense que são resistentes às chamas e que nascem a partir destas. Na realidade não passam de um pacífico anfíbio que não tolera temperaturas tão elevadas.

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Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem:Caudata
Família: Salamandridae
Género: Salamandra
Espécie: Salamandra salamandra
 
Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Pouco Preocupante” (LC).
Distribui-se por grande parte da Europa à excepção das regiões mais a norte. Em Portugal está presente em todo o território, menos nos locais mais áridos do Alentejo.
Habita preferencialmente zonas montanhosas, húmidas e com pouca luz, como bosques caducifólios com charcos e ribeiros. Existe também noutros habitats, como lameiros, prados, campos agrícolas, pinhais, azinhais e sobrais. Como locais de reprodução preferem meios com água limpa e corrente, onde ocorrem, por vezes, em simpatria com larvas de salamandra-lusitânica e rã-ibérica. Distribui-se desde o nível do mar até aos 1870 m, na serra da Estrela.
É uma espécie de hábitos nocturnos, sedentária e totalmente terrestre, utilizando os meios aquáticos apenas para se reproduzir. Como grande parte dos anfíbios em Portugal, a actividade da salamandra-de-pintas-amarelas está concentrada nos períodos mais húmidos, geralmente entre Setembro e Maio. Nos locais de maior altitude pode hibernar durante os meses mais frios do ano. Move-se de uma forma lenta e “pesada”.
As salamandras adultas possuem poucos inimigos naturais, entre os quais se destacam víboras, cobras-de-água e ocasionalmente algumas aves (como falcões e pegas). As larvas são predadas por trutas, cobras-de-água, insectos aquáticos, aves aquáticas e larvas da mesma espécie de maior tamanho.
Para se defenderem segregam compostos tóxicos das suas glândulas parótidas e a sua toxicidade é mostrada pela sua coloração vistosa. Pode também adoptar por uma posição de defesa, que consiste em baixar a cabeça e arquear o corpo, de forma a evidenciar a sua coloração e as glândulas parótidas. Em estado selvagem pode atingir os 20 anos de idade.
Alimentação: Os adultos alimentam-se de invertebrados terrestres. As larvas alimentam-se vorazmente de insectos aquáticos, de crustáceos e de larvas de outros anfíbios ou até mesmo da sua espécie.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Entre 14,0 e 17,0 cm. Embora muito raramente atinja os 20,0 cm.
A salamandra-de-pintas-amarelas tem a cabeça grande, aplanada e arredondada. As glândulas parótidas são bem evidentes, com poros escuros bem visíveis e os olhos estão dispostos lateralmente e são relativamente proeminentes. O corpo é robusto, a cauda é de secção redonda a oval e os membros são fortes, com 4 dedos nas patas anteriores e 5 nas posteriores.
A coloração dorsal é negra, com pintas amarelas em número e tamanho variável, mas em alguns casos a coloração amarela pode dominar. Na região das glândulas parótidas pode também existir tons avermelhados.
O dimorfismo sexual é pouco evidente, mas as fêmeas atingem tamanhos superiores e os machos durante a época de reprodução têm a cloaca com maiores dimensões. As fêmeas quando grávidas apresentam a região posterior do corpo muito volumosa.
As larvas têm uma cabeça larga e grande, com brânquias bem desenvolvidas. Inicialmente, a sua coloração é acinzentada ou acastanhada com um ponteado escuro, mas com o passar do tempo as manchas escuras tornam-se mais evidentes e surgem marcas brancas nas bases dos membros e do corpo.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados]
 
Reprodução
A época de reprodução ocorre entre Setembro e Maio e dependendo das condições ambientais e disponibilidade de alimento, podem ocorrer um ou dois períodos de maior frequência de reprodução, um no Outono e outro na Primavera.
Durante a cópula o macho coloca-se debaixo da fêmea, segurando-a com os membros anteriores e esfregando a cabeça na sua garganta. Depois, entrelaçam as suas caudas e o macho liberta o espermatóforo que é recolhido pela cloaca da fêmea.
A reprodução desta espécie pode ser ovovivípara ou vivípara, podendo as fêmeas depositar entre 20 e 40 larvas na água. Em populações da Galiza e Astúrias, as fêmeas podem depositar juvenis já metamorfoseados, sendo uma vantagem evolutiva importante para a colonização de ambientes com pouca disponibilidade de água. Nestes casos, ocorre canibalismo entre as larvas dentro do ventre materno, nascendo apenas 2 a 4 indivíduos, raramente ultrapassando os 10 a 15 indivíduos.
 
Bibliografia
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas
Cabral, M.J.e outros. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
http://www.iucnredlist.org/details/59467/0

Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus)

A cobra-rateira é o maior ofídio de Portugal, podendo medir mais de 2 metros de comprimento. Mas não se deixe enganar, este réptil é inofensivo para o Homem, sendo até bastante útil no controlo de roedores.

"Cobra-rateira[© Armado Caldas, Todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Colubridae
Género: Malpolon
Espécie: Malpolon monspessulanus
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
Ocorre por quase toda a Península Ibérica (excepto nas zonas mais a norte), no Sul de França e no Norte de África. Na Península Itálica distribui-se apenas na zona mais a noroeste. Em Portugal está presente em todo o país.
A cobra-rateira ocupa uma grande variedade de habitats, como zonas de matos, áreas rochosas abertas, bosques autóctones, estepes, campos agrícolas, pinhais arenosos e jardins. Em Portugal, esta espécie pode ser encontrada até aos 1410 m, na Serra da Estrela.
Trata-se de uma espécie bastante ágil e essencialmente terrestre, sendo capaz de trepar árvores de forma a encontrar um local com boa exposição solar ou então para se alimentar. Também pode ser observada na água, utilizando este meio para fugir de predadores ou para caçar. É tipicamente diurna, embora nos dias mais quentes de Verão possa adoptar hábitos crepusculares. Durante os meses mais frios do ano hiberna e, nas áreas mais a sul da sua distribuição, também pode apresentar um período de estivação.
Tem como inimigos naturais aves de rapina (águia-calçada, águia-cobreira, águia-real, açor, peneireiro vulgar, milhafre-real e milhafre-preto) e mamíferos, nomeadamente o javali e o saca-rabos. A principal estratégia de defesa contra os predadores é a fuga, no entanto, quando se sente encurralada pode tornar-se agressiva. Produz veneno de características neurotóxicas e é uma espécie opistoglifa, o que significa que o aparelho inoculador de veneno está presente na região posterior do maxilar superior. Apesar de tudo não é uma espécie perigosa para o Homem, pois só ataca no caso de se sentir ameaçada e não consegue inocular veneno devido à natureza do seu aparelho inoculador.
A maturidade sexual é alcançada entre os 3 e os 5 anos e pode ultrapassar os 25 anos de idade.
Alimentação: Varia com a idade. Os juvenis numa primeira fase são insectívoros e depois passam a caçar lagartixas. Posteriormente alimentam-se de outras cobras, pequenos roedores, crias de aves que caem dos ninhos e anfíbios. Os exemplares de maiores dimensões podem caçar presas com um tamanho considerável, como juvenis de coelho-bravo e sardões adultos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Pode ultrapassar os 2 m.
A cobra-rateira é o maior ofídio de Portugal e possui uma cabeça relativamente estreita e pontiaguda, com escamas supra-oculares proeminentes. Os olhos são grandes e a escama frontal é muito estreita e alongada. A coloração dorsal é muito variável, desde o verde oliváceo até ao castanho ou acinzentado, e apresenta tipicamente uma mancha muito escura no terço anterior do corpo. No entanto, alguns exemplares são praticamente uniformes, enquanto que outros apresentam manchas dispersas ou até mesmo listas. A região ventral é amarelada, podendo ter também manchas escuras.
Os juvenis caracterizam-se pelo dorso verde ou castanho uniforme, com machas escuras e claras formando um complexo desenho.
O dimorfismo sexual é pouco evidente, mas para além das fêmeas serem mais pequenas também mantêm o desenho de juvenil durante grande parte da sua vida, principalmente no que se refere às manchas escuras da região pré-ocular.
A cobra-rateira poderá ser confundida com a cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix), distinguindo-se desta por não possuir escamas carenadas e apresentar a escama frontal é mais estreita e alongada.
"Cobra-rateira[Armando Caldas, Todos os direitos reservados]

Reprodução
A época de reprodução inicia-se na Primavera e as cópulas ocorrem entre Maio e Junho. Passado sensivelmente 30 dias a fêmea deposita entre 4 a 20 ovos, debaixo da manta morta, de pedras ou em tocas de coelhos, ou de micromamíferos. O período de incubação dura cerca de dois meses.
 
Bibliografia
http://maps.iucnredlist.org/map.html?id=157262
http://anfibioserepteis.blogspot.pt/search/label/36%20-%20Cobra-rateira
Almeida. P. e outros (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas

Tritão-marmorado (Triturus marmoratus)

O tritão-marmorado é o maior tritão que existe em Portugal. É relativamente fácil de encontrar em massas de água com pouca corrente, durante a época de reprodução, estando mais activo à noite.

"Afinal[© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Caudata
Família: Salamandridae
Género: Triturus
Espécie: Triturus marmoratus

Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: Pouco preocupante (LC). As principais ameaças são a perda de habitat e a introdução/existência de espécies exóticas.
Distribui-se pela metade Norte da Península Ibérica e sudoeste de França. Em Portugal, ocorre de uma forma contínua no Norte e a sua distribuição é limitada a sul pela Serra da Malcata, Castelo Branco, Abrantes e Leiria. Pode ser encontrado desde o nível do mar até aos 1930 metros na Serra da Estrela.
Habitam uma grande variedade de ecossistemas, desde que existam massas de água próximas adequadas para a sua reprodução. Preferem habitats aquáticos com água parada ou com pouca corrente, tais como charcos, poços, lagoas, tanques represas, albufeiras e zonas de remanso de rios.
Durante a época de reprodução o tritão-marmorado tem hábitos aquáticos e fora desta tem hábitos terrestres. É rápido e ágil dentro de água, mas lento e desajeitado em terra. Actividade predominantemente nocturna, mas na fase aquática pode ser visto durante o dia e durante os meses mais frios e mais quentes do ano pode passar por um período de inactividade.
A longevidade desta espécie ultrapassa os 10 anos, existindo registos de animais em cativeiro que chegaram aos 25 anos.
Durante a fase terrestre pode ser capturado por víboras e mamíferos e na fase aquática serve de alimento a cobras-de-água, cegonhas, garças e ao lagostim-vermelho-da-Louisiana. As larvas podem ser capturadas por vários artrópodes, cobras-de-água, peixes carnívoros e outros anfíbios. Para se defender dos predadores o tritão-marmorado utiliza a fuga e as secreções tóxicas das suas glândulas cutâneas. Pode também levantar e agitar a cauda e esticar as patas posteriores para confundir os predadores.
Alimentação: Os adultos alimentam-se de artrópodes e, ocasionalmente, larvas de anfíbios. As larvas alimentam-se de pequenos insectos aquáticos e crustáceos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Fêmea 148 mm (máximo 160 mm). Macho 132 mm.
O tritão-marmorado é um tritão de tamanho médio, com cabeça arredondada e olhos proeminentes, em posição lateral. As glândulas parótidas são bem evidentes e apresenta corpo de secção redonda ou ligeiramente aplanado, com cauda muito achatada lateralmente, de igual tamanho ou um pouco maior que o corpo. Os membros são bem desenvolvidos, com 4 dedos nas patas anteriores e 5 nas posteriores. Dorso de coloração esverdeada com manchas escuras com distribuição e tamanho variável. Ventre branco, creme ou cinza. A pele tem uma textura granulosa.
Os machos são mais pequenos do que as fêmeas e apresentam a cabeça proporcionalmente mais pequena e patas maiores do que as fêmeas. Durante a época de reprodução, os machos de tritão-marmorado, desenvolvem uma crista dorsal alta, escura com bandas verticais verdes ou amareladas, afunilando na região da cloaca, que nesta altura encontra-se muito proeminente. Os machos apresentam ainda uma lista longitudinal branca nos dois lados da cauda e as fêmeas têm tipicamente uma linha amarela ou alaranjada no meio do dorso, desde a cabeça até ao final da cauda.

"O [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Reprodução
A época de reprodução depende da região geográfica e da altitude em causa, estendendo-se desde Outubro até Maio. Nas zonas mais frias de Portugal raramente se observam indivíduos na água antes de finais de Janeiro. O acasalamento ocorre na água e passado alguns dias a fêmea deposita entre 150 e 400 ovos que envolve individualmente em plantas aquáticas. A eclosão das larvas dá-se após alguns dias da postura e o período larvar depende da temperatura da água e da disponibilidade de alimento. No Norte observam-se jovens metamorfoseados apenas no final do Verão, enquanto que nas regiões mais a Sul podem ser vistos em meados da primavera.

Bibliografia
http://www.iucnredlist.org/details/59477/0
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas
Caldas, A. (2010). Anfíbios de Portugal. Guia Fotográfico Quercus. QUERUS – Associação Nacional de Conservação da Naturesa.

Lagarto-água (Lacerta schreiberi)

Considerado por muitos o lagarto mais bonito do país, o lagarto-de-água é uma espécies endémica da Península Ibérica, estando cerca de 45% da população concentrada em Portugal. Na época de reprodução, os machos adquirem uma coloração azul por toda a cabeça, não deixando ninguém indiferente à sua observação.

"O [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Lacertidae  
Género: Lacerta
Espécie: Lacerta schreiberi
 
Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Pouco Preocupante” (LC). A espécie encontra-se em regressão, não só no tamanho populacional, como também na área de distribuição, havendo um elevado grau de fragmentação, nomeadamente dos isolados populacionais.
O lagarto-de-água é uma espécie endémica da Península Ibérica, encontrando-se circunscrita à parte Noroeste e ao sistema central (desde Portugal até à Serra de Pela) e em algumas populações isoladas no Sudoeste Espanhol. Em Portugal, ocorre de uma forma contínua a norte do rio Tejo, enquanto a sul encontra-se apenas em populações isoladas, nomeadamente, nas Serras de Cercal, de S. Mamede, da Brejeira, de Sintra e de Monchique. Cerca de 45% da população encontra-se em território português.
Habita zonas relativamente húmidas, encontrando-se associado a cursos de água com coberto vegetal denso. Aparece preferencialmente em locais em que o estrato arbustivo e arbóreo é constituído por espécies típicas de clima Atlântico. Os adultos estão mais associados a zonas com abundância de pedras e matos densos, enquanto que os juvenis preferem habitats herbáceos, com esconderijos próximos. Aparece desde o nível do mar até aos 1775 m de altitude, na Serra da estrela e até aos 2100 m, em Espanha. É uma espécie muito sensível à qualidade da água, estando ausente em locas com água contaminada.
Espécie activa desde Fevereiro/Março até Outubro, altura em que começam a Invernar. Os machos iniciam a sua actividade mais cedo do que as fêmeas, havendo por vezes diferenças de um mês.
O lagarto-de-água serve de alimento a várias espécies de animais, entre as quais, aves de rapinas, cegonhas e, mais esporadicamente alguns mamíferos, como a gineta e a lontra. A fuga, a camuflagem e a capacidade de libertar a cauda voluntariamente constituem os seus principais mecanismos de defesa contra predadores. A longevidade máxima registada é de 8 anos.
Alimentação: Baseia-se em pequenos invertebrados como, moscas, mosquitos, gafanhotos e escaravelhos. Por vezes, pode-se alimentar de frutos silvestres.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – corpo:  125mm. A cauda é bastante comprida e pode medir até duas vezes o tamanho do corpo.
É conhecido pelos machos adquirirem uma tonalidade azul na garganta que se estende muitas vezes por toda cabeça durante a época de reprodução, sendo esta característica menos evidente durante o Inverno (a garganta fica esbranquiçada). As fêmeas também podem apresentar a garganta azulada, mas não tanto como nos machos.
O padrão de coloração dorsal nos machos é composto por tons esverdeados e amarelados, com um ponteado negro relativamente denso e uniforme e o ventre é amarelado com pequenas manchas negras. No dorso das fêmeas notam-se grandes manchas negras, sobre um fundo de tonalidade esverdeada ou acastanhada.
As fêmeas atingem tamanhos superiores aos dos machos, mas estas são menos robustas tanto na cabeça como no corpo.
Os juvenis têm nos flancos manchas amareladas ou esbranquiçadas, rodeadas de negro sob um fundo acastanhado que se estende por todo o dorso.

Lagarto-de-água, jovem / Schreiber's green lizard, young (Lacerta schreiberi) [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]
 
Reprodução
A maturidade sexual é atingida por volta dos 3/4 anos e a actividade reprodutora decorre entre a Primavera e meados de Verão. As posturas são efectuadas normalmente entre Maio e Julho, em locais expostos e sem vegetação e os ovos eclodem ao fim de 2 ou 3 meses de incubação.
 
Bibliografia
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas
Plano sectorial da Rede Natura, fauna, anfíbios e répteis, Lacerta schreiberi
http://www.iucnredlist.org/details/11113/0

Rã-verde (Pelophylax perezi)

Esta espécie de anfíbio é muito comum em charcos, rios ou ribeiros. Não só é o anfíbio mais numeroso de Portugal, como também é a maior rã portuguesa. Durante a primavera é facilmente audível o forte coaxar destes animais. 

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Anura
Família: Ranidae
Género: Pelophylax
Espécie: Pelophylax perezi

Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: Pouco preocupante (LC).
Encontra-se por toda a Península Ibérica e Sul de França. Em Portugal, ocorre por todo o território, sendo o anfíbio mais comum.
Esta espécie está sempre associada a massas de água de vários tipos, como charcos, pântanos, lameiros, lagos, lagoas, barragens e ribeiros. Pode ser encontrada até em zonas fortemente humanizadas e suporta bem a contaminação orgânica e baixa salinidade. Vivem tanto ao nível do mar como em zonas mais altas (até 1900 metros, na Serra da Estrela).
A rã-verde está activa tanto durante o dia como durante a noite. De dia pode ser encontrada nas margens das massas de água onde habita a apanhar sol. Entre os meses de Novembro e Março passa por um período de hibernação, no entanto, este período pode variar consoante a região.
Este anfíbio é predado por inúmeros animais, destacando-se as cobras-de-água, a cobra-de-escada e a cobra-rateira, diversas aves (garças, cegonhas, rapinas nocturnas e diurnas) e alguns mamíferos (como a lontra). A única forma de defesa que possui é a fuga para a água, mergulhando e enterrando-se no lodo do fundo.
A longevidade máxima é de cerca de 10 anos e a maturidade sexual é atingida aos 4.
Alimentação: Os adultos consomem praticamente todo o tipo de invertebrados e pequenos peixes. Também podem alimentar-se de anfíbios, incluindo exemplares da mesma espécie e até mesmo pequenos roedores. As larvas são herbívoras e detritívoras.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados]

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Até 10 cm.
A variação de padrões de coloração é grande, mas geralmente a cor do dorso é verde (também pode ser acastanhado ou acinzentado). Apresenta uma linha vertebral verde clara ou amarela e duas pregas dorsolaterais, normalmente amareladas ou acastanhadas. Em grande parte dos indivíduos surgem manchas escuras sem padrão e tamanho definido, no dorso e flancos. Normalmente, o ventre é esbranquiçado, mas também pode ter tons um pouco mais escuros.
A rã-verde tem um focinho pontiagudo e tímpano grande e bem visível (castanho ou amarelo). Os olhos são grandes, muito juntos e preminentes, com pupila horizontal elíptica.
Os membros posteriores são bastante compridos e fortes, com cinco dedos unidos por membranas interdigitais completas. Os membros anteriores são mais curtos e com apenas quatro dedos, sem membranas interdigitais.
Os machos são mais pequenos que as fêmeas e possuem sacos vocais externos (em repouso correspondem às pregas). Além disso, durante o período reprodutor apresentam rugosidades negras nos dedos internos.

Reprodução
O período de reprodução pode variar um pouco em diferentes locais, mas em Portugal ocorre, geralmente, entre Março e Julho. Os machos atraem as fêmeas através do coachar e quando têm sucesso abraçam-nas pelas costas para se reproduzirem (amplexo axilar). São depositados entre 800 e 10.000 ovos em grandes aglomerados flutuantes ou prendem-nos à vegetação. A eclosão dá-se alguns dias após a postura e o desenvolvimento larvar é bastante lento (entre 2 a 4 meses). Algumas larvas, devido a factores ecológicos, passam o Inverno na água e só se metamorfoseiam na Primavera seguinte.

Bibliografia
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Ra-verde?bl=1&viewall=true#Go_1
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas
Caldas, A. (2010). Anfíbios de Portugal. Guia Fotográfico Quercus. QUERUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Répteis e anfíbios, os mal amados do reino animal

Os anfíbios e os répteis são animais maravilhosos e com comportamentos muito interessantes. No entanto, o Homem aprendeu a odiá-los de tal forma que os persegue sem qualquer razão racional válida .

Víbora-cornuda / Lataste's Viper (Vipera latastei)
Fig.1 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Víbora-cornuda (Vipera latastei).

Os anfíbios e os répteis foram os primeiros animais a colonizar o meio terrestre e deles descendem todos os outros grupos de tetrápodes. Os anfíbios foram os primeiros a surgir, derivando de um grupo de peixes do Devónico Médio (há cerca de 400 milhões de anos). No fim do Carbonífero, há 300 milhões de anos, apareceram os répteis originados a partir dos anfíbios.

Estes animais já há muito que são associados a mitos e crenças religiosas que têm, na maior parte dos casos, destruído a sua reputação. As serpentes, por exemplo, em algumas religiões eram considerados animais sagrados (simbolizavam a sabedoria e a saúde), mas noutras representam o demónio, como no caso do Cristianismo e do Judaísmo.

Não há dúvida que estas crenças moldaram ao longo do tempo a opinião pública, mesmo em pessoas não religiosas. Incrivelmente, em pleno século XXI, ainda se testemunham atitudes que remontam a idade média, altura em que o conhecimento que separa a realidade do fictício era practicamente inexistente.

Fig.2 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Salamandra- de-fogo (Salamandra salamandra).

É um facto que o Homem apresenta uma aversão ancestral pelos répteis e anfíbios, que o leva muitas vezes, a perseguir e matar. As serpentes são os animais mais afectados, bem como todas as espécies com aparência semelhante, como os licranços e cobras-de-pernas. É importante referir que estes últimos são lagartos e não serpentes e ao contrário do que muita gente pensa não são animais venenosos. Em locais, como nas serras do Gerês e Montemuro, é comum capturarem-se víboras para a produção de medicamentos tradicionais e amuletos. Outro dos preconceitos acerca das serpentes é que bebem o leite das mães, sejam humanas, ovelhas ou cabras.

Ainda há quem acredite que os sardões (Lacerta lepida) sobem pelas pernas das mulheres quando estão menstruadas e que as osgas cospem nos olhos das pessoas, mas escusado será dizer que nada disto corresponde à realidade.

Segundo a mitologia grega as salamandras-de-fogo (Salamandra salamandra) são resistentes às chamas e que nascem a partir destas (daí o seu nome), esta crença ainda é mantida na actualidade. A observação da saída de salamandras de fogueiras criou tal ideia, mas na realidade o que acontece é que estes animais muitas vezes abrigam-se ou hibernam no meio da lenha e escapam quando a temperatura começa a aumentar. Outros animais são usados em bruxaria, como é o caso dos sapos em que as suas bocas são costuradas (pode ler um feitiço utilizando sapos aqui).

Fig.3 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Sapo-comum (Bufo bufo).

 Muitas vezes os anfíbios e os répteis são mortos, não só devido à ignorância das pessoas, mas também ao medo. As serpentes nunca são agressivas só porque sim, apenas atacam se forem apertadas, ou se sentirem ameaçadas; a fuga é sempre a primeira opção, nunca atacam porque apenas querem fazer-nos mal! (penso que o contrario é mais plausível).

Todos estes preconceitos e ideias erradas constituem uma ameaça importante para as populações de répteis e anfíbios e esquecemo-nos que a maior parte destas espécies são importantes no controlo de roedores, insectos e outros animais que podem ser nefastos para as culturas agrícolas e/ou para a saúde pública. Por isso, é o nosso dever desmistificar estes animais e apelar pela sua conservação.

Bibliografia
href=”http://luisbravo.net/spherpetologia/art_crespo01.htm”>http://luisbravo.net/spherpetologia/art_crespo01.htm
http://zoo-centro-pedagogico.blogspot.pt/2012/05/desmistificar-os-repteis-nao-sao.html
http://almamistica.com.br/textos.asp?cod=1087&acao=ler
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas

Tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai)

Este pequeno tritão, endémico da Península Ibérica, pode ser visto por quase todo o país. Muitas vezes reproduz-se nos nossos tanques e distingue-se dos restantes tritões por terem o ventre laranja.

Fig. 1 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Tritão-de-ventre-laranja fêmea.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Caudata
Família: Salamandridae
Género: Lissotriton
Espécie: Lissotriton boscai
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: Pouco preocupante (LC). As principais ameaças são a perda de habitat e a introdução/existência de espécies que não pertencem à nossa fauna ou flora.
A espécie é endémica da Península Ibérica, existindo só na metade Oeste. Em Portugal ocorre em grande parte do território, excepto nas zonas mais áridas.
Pode-se encontrar este tritão em prados, bosques e zonas agrícolas. Está associado a zonas com massas de água límpida e fresca muito diversas, como ribeiros com vegetação aquática abundante e corrente fraca, poços, charcos, lagoas, represas, albufeiras e até tanques.
Apresenta uma fase aquática (normalmente corresponde à época de reprodução, embora em alguns locais possa permanecer na água durante todo o ano) e uma fase terrestre. Durante a fase terrestre, tem hábitos principalmente nocturnos, enquanto que na fase aquática tanto pode ser visto de dia como de noite.
Durante os meses mais frios do Inverno e nos mais quentes do Verão pode passar por um período de inactividade, refugiando-se debaixo de pedras ou no fundo de ambientes aquáticos.
Os machos podem viver até aos 6 anos e as fêmeas até aos 9 anos.
O tritão-de-ventre-laranja tem como principais inimigos naturais víboras e cobras de água. As larvas podem ser capturadas por larvas de libélulas, insectos aquáticos, larvas de salamandra e adultos de tritão-marmoreado. Os adultos como forma protecção, possuem glândulas parótidas, que libertam secreções tóxicas.
Alimentação: Durante a fase aquática captura pequenos invertebrados aquáticos. Durante a fase terrestre alimenta-se de animais de consistência mole como minhocas e lesmas.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Fêmea entre 70-90 mm. Macho entre 65-75 mm.
O tritão-de-ventre-laranja é um pequeno urodelo, que apresenta o ventre laranja (daí o seu nome) com manchas escuras redondas que podem formar filas irregulares nas zonas laterais. A região posterior tem uma coloração variável, predominando os castanhos, verde-azeitona, amarelos e cinzentos e, normalmente, notam-se manchas escuras. É comum apresentar uma linha vertebral mais clara que o resto do dorso.
Cabeça mais larga que alta, com olhos proeminentes (em posição lateral) e glândulas parótidas de pequenas dimensões. A cauda é achatada lateralmente, com crista reduzida ou ausente e os membros são delgados (os posteriores possuem 5 dedos e os anteriores 4).
Durante a fase terrestre, a pele deste tritão fica com uma textura granulosa e mais escura, em oposição à pele mais lisa e clara na fase aquática.
As fêmeas são maiores que os machos e mais robustas, e o desenho dorsal é mais uniforme, com manchas escuras reduzidas. Estas apresentam membros posteriores mais desenvolvidos e cloaca mais pequena. Os machos são mais delgados e com manchas escuras mais evidentes. Durante a fase de reprodução, desenvolve-se uma banda longitudinal branca por toda a cauda, uma crista caudal de pequenas dimensões e um filamento terminal com 0.5-2 mm.

Fig. 2 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Tritão-de-ventre-laranja macho.

Reprodução
A época de reprodução prolonga-se de Novembro a Julho, podendo variar consoante a latitude e a longitude.
O acasalamento é precedido de um complexo comportamento de corte e ocorre na água; o macho faz uma série de movimentos e liberta partículas odoríferas na tentativa de atrair a fêmea. Se for aceite, liberta o espermatóforo, que é absorvido pela fêmea a partir da cloaca.
Depositam entre 100 e 250 ovos em águas paradas ou com pouca corrente, na vegetação aquática ou em objectos. Os ovos eclodem passados cerca de 10 a 20 dias após a postura e a duração do período larvar varia com a temperatura da água e disponibilidade de alimento.
Os juvenis atingem a maturidade sexual após 2-4 anos.
 
Bibliografia
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Tritao-de-ventre-laranja?bl=1&viewall=true#Go_1
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas
Caldas, A. (2010). Anfíbios de Portugal. Guia Fotográfico Quercus. QUERUS – Associação Nacional de Conservação da Naturesa.

Víbora-cornuda (Vipera latastei)

A víbora-cornuda é uma das duas espécies de víboras que existem em Portugal. É venenosa, mas só ataca quando se sente encurralada. Tem um papel muito importante no controlo de pragas, por isso, merece a nossa protecção e admiração.

"Víbora-cornuda Fig. 1 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Aspecto geral.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Viperidae
Género: Vipera
Espécie: Vipera latastei

Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: Vulnerável (VU). Apresenta fragmentação e declínio acentuado da área de ocorrência, da qualidade dos habitats e do número de indivíduos adultos. Área de ocupação inferior a 2000 km2.
Ocorre em quase toda a Península Ibérica (excepto no extremo Noroeste) e também no Norte de África. Em Portugal nota-se a existência de núcleos fragmentados por todo o território.
Necessita de locais com boa insolação, preferindo zonas rochosas de montanha com vegetação, mas também pode aparecer em altitudes mais baixas, desde matagais, campos agrícolas e pinhais do litoral. Em Portugal ocorre desde o nível do mar até aos 1500 metros, na Serra da Estrela.
No Inverno, vários indivíduos de víbora-cornuda agrupam-se em tocas ou sob pedras. Nestes locais entram em período de hibernação, com duração muito variável que está dependente da altitude e latitude.
Tal como a maioria dos répteis, é uma espécie essencialmente diurna, embora nos meses mais quentes possa ter uma actividade crepuscular ou nocturna.
Tem como inimigos naturais outras cobras (ex. cobra-rateira), aves de rapina e mamíferos (javali, saca-rabos, gineta, e ouriço-cacheiro). Na presença destes opta, geralmente, por fugir, embora quando ameaçada sopre e tente morder (o mesmo acontece na presença do ser humano, logo o animal deve ser deixado em paz e, desta forma, não representará perigo).
Produz um veneno proteolítico, podendo ser potencialmente perigoso para o Homem (principalmente para crianças, idosos ou pessoas doentes), visto que é uma cobra solenoglifa (com dentes inoculadores muito especializados, situados na região anterior dos maxilares superiores).
Alimentação: Consiste principalmente em micro-mamíferos podendo ainda capturar lagartixas, juvenis de sardão e de lagarto-de-água e outros répteis não demasiado grandes. Também se alimentam de passeriformes, insectos e outros invertebrados e pequenos anfíbios.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – corpo: 70 cm no máximo.
É uma víbora de tamanho pequeno, com a cabeça bem diferenciada do corpo, com forma triangular e escamas cefálicas idênticas às do resto do corpo. A cauda é curta e muito mais fina que o resto do corpo. Na extremidade do focinho tem 3 a 7 escamas apicais (é mais comum ter 5) que formam um apêndice nasal, típico da espécie (daí provém o nome “cornuda”).
A víbora-cornuda tem a pupila vertical e a íris amarelada. A coloração do dorso é variável, geralmente cinzenta nos machos e castanha nas fêmeas. Na região vertebral nota-se um desenho que consiste numa banda dorsal escura disposta em zigue-zague. Na cabeça (parte posterior) existem ainda, normalmente, duas manchas escuras que formam um “V” invertido. O ventre pode ser esbranquiçado ou acinzentado, com algumas manchas irregulares.
O dimorfismo sexual é pouco acentuado, sendo que há uma pequena diferença na cor dorsal e para além disso, os machos têm a cauda mais larga a seguir à cloaca e ligeiramente mais comprida.

"Afaste-se... Fig. 1 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Nesta foto, são visíveis o apêndice nasal e os dentes inoculadores de veneno.

Reprodução 
A época de reprodução tem início na Primavera (cópula entre Março e Maio), mas pode apresentar ainda um segundo período de actividade sexual entre Setembro e Outubro. As fêmeas não se reproduzem todos os anos. A espécie é ovovivípara (os ovos desenvolvem-se dentro do corpo da progenitora), nascendo 5 a 8 crias, normalmente, no final do Verão.
A maturidade sexual é atingida quando o comprimento corporal ronda os 30 a 40 centímetros; esta espécie pode atingir os 9 anos de idade.

Bibliografia
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Vibora-cornuda?bl=1&viewall=true#Go_1
Almeida. P. e outros (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas