Arquivo da categoria: Mamíferos

Informações sobre os mamíferos que existem em Portugal.

Morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum)

O morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum) é o maior morcego-de-ferradura existente na Europa. Está classificado com o estatuto “Vulnerável” em Portugal e, por isso, é urgente que se tomem medidas para a sua proteção. 

[© Francisco Amorim, todos os direitos reservados] – Adulto de morcego-de-ferradura-grande.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Rhinolophidae
Género: Rhinolophus
Espécie: Rhinolophus ferrumequinum

Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Vulnerável” (VU), a espécie tem uma população pequena (inferior a 10.000 indivíduos maturos) e admite-se um declínio contínuo do número de indivíduos, assim como da qualidade do habitat. À escala global está classificado como “Pouco Preocupante” (LC) pela IUCN.
O morcego-de-ferradura-grande é uma espécie que ocorre sobretudo na Eurásia temperada de forma mais ou menos contínua, desde a Península Ibérica até ao Japão, e no Norte de África. Em Portugal é claramente mais comum no Norte e Centro, encontrando-se esporadicamente no Algarve (ver mapa de distribuição aqui).
É uma espécie ubiquista que parece utilizar qualquer meio, mas prefere zonas densamente florestadas com zonas de pastagens e com disponibilidade de água. Também pode ser encontrada em áreas calcárias e em locais habitados pelo Homem.
Abriga-se tradicionalmente em grutas, nas quais se reproduz, embora também possa utilizar os telhados de celeiros, igrejas e sótãos. Durante os meses mais frios, hiberna no fundo de poços, minas, grutas e estruturas humanas, onde as temperaturas não são inferiores a 7-10°C.
Este morcego é sedentário e noturno, fazendo apenas pequenas deslocações para se alimentar (cerca de 8 km) e deslocações dos locais de descanso de inverno para os de verão (geralmente entre 20 e 30 km, mas o máximo registado foi de 180 km).
Normalmente, o morcego-de-ferradura-grande sai do abrigo 50 minutos depois do pôr-do-sol para se alimentar pela noite fora, descansando por vezes próximo do local de alimentação. Hiberna de setembro/outubro a abril, interrompendo esta inatividade 2 a 3 vezes por mês para se alimentar, caso as condições atmosféricas sejam favoráveis.
Muitas vezes caça a partir de um poleiro para uma melhor localização das presas, que se forem grandes demais, depois de as caçar, volta para o local de partida para se alimentar. Bebe durante voos baixos enquanto paira.
Emite sons relativamente agudos, que podem ser fortes chilreios vindos das colónias de verão. Ecolocação a 80-83 kHz.
Alimentação: a sua dieta é constituída essencialmente por grandes insetos, como borboletas noturnas e coleópteros.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Adulto de morcego-de-ferradura-grande em

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 9,2 – 11,4 cm.
Envergadura: entre 29,0 – 35,5 cm.
Peso: entre 14,0 – 34,0 g.
O morcego-de-ferradura-grande, apesar de ter tamanho médio, é o maior morcego-de-ferradura da Europa. O dorso é castanho-arruivado e as partes inferiores são mais claras, desde cinzento-esbranquiçado a amarelo esbranquiçado. Além destas características deve-se ter em atenção a folha nasal para uma correta identificação e distinção de outras espécies parecidas. Tal como as restantes espécies pertencentes ao género Rhinolophus, o morcego-de-ferradura-grande tem o nariz em forma de ferradura, distinguindo-se das demais pela lanceta larga que termina numa ponta saliente, pelo processo conectivo superior curto e arredondado e pelo processo conectivo inferior pontiagudo de perfil. A forma romba e tamanho do processo conectivo superior torna inconfundível esta espécie.
Não existe dimorfismo sexual aparente e os juvenis diferem dos adultos por possuírem o dorso mais acinzentado.
Deixa como indícios de presença, principalmente na primavera e verão, restos de insetos e excrementos debaixo de poleiros nas árvores ou nas entradas dos locais de descanso. Os voos são lentos e agitados, com planagens curtas, geralmente a baixa altura (0,3 – 6 m).

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Pormenor da folha nasal.

Reprodução
As cópulas acontecem normalmente no final de setembro, momento em que os espermatozoides são armazenados no oviduto e útero da fêmea até à ovulação e fertilização em março/abril. Os nascimentos ocorrem desde meados de junho até ao início de agosto, dependendo do local. As fêmeas prenhas, acompanhadas de alguns indivíduos imaturos e não reprodutores de ambos os sexos, formam colónias de criação, que podem conter várias centenas de animais. Os machos adultos vivem em pequenos grupos isolados.
A maturidade sexual é particularmente tardia, nas fêmeas é atingida no terceiro ou quarto ano de idade e nos machos a partir do segundo ano. As fêmeas podem não criar todos os anos, mas quando o fazem têm apenas um ninhada por ano constituída por uma cria.

Nota importante: As populações de morcego-de-ferradura-grande têm diminuído drasticamente ao longo dos anos fruto de enumeras atividades ligadas ao ser humano, tais como: destruição e perturbação de abrigos, destruição de florestas autóctones, poluição, perseguição direta, etc. O facto de esta espécie produzir apenas uma ninhada com uma cria por ano, atingir a maturidade sexual tardiamente (os indivíduos podem morrer antes de se reproduzirem) e serem suscetíveis a temperaturas baixas, dificulta ainda mais a sua conservação.

Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Macdonald, D., and Barret P. (1993). Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas, Porto.
Rainho, A. (2013) – Atlas dos Morcegos de Portugal Continental. Lisboa: Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
http://morceguismos.blogspot.pt/
http://umdiadecampo.blogspot.pt/2013/12/chave-dicotomica-simplificada-de.html
http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/rn2000/resource/rn-plan-set/mamif/rhi-ferrumequinum
http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/rn2000/resource/rn-plan-set/mamif/rhi-ferrumequinum

Leirão (Eliomys quercinus)

O leirão (Eliomys quercinus) é um roedor arborícola pertencente à família Gliridae. Este curioso animal é um dos mamíferos mais esquivos da nossa fauna, não se conhecendo de forma exata a  sua distribuição e efetivos populacionais. 

[© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Leirão adulto.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Gliridae
Género: Eliomys
Espécie: Eliomys quercinus
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Informação Insuficiente” (DD). À escala global está classificado como “Quase Ameaçado” (NT) pela IUCN. O leirão tornou-se raro em grande parte da sua área de distribuição, estando em perigo de extinção na Republica Checa, na Eslováquia, na Polónia e na Finlândia.
O leirão é uma espécie europeia, amplamente distribuída pela Europa Ocidental e com populações dispersas no leste e Norte. Em Portugal, ocorre por todo o território continental, embora estudos não confirmem a sua presença em vastas regiões do Centro e Sul e apontem para ocorrências muito escassas e dispersas na restante área. Não há informação sobre o estado das populações portuguesas, mas é sabido que a sua abundância é relativamente inferior à de outras espécies de roedores (ver mapa de distribuição aqui).
Habita variados ecossistemas, como florestas de coníferas e de folha caduca, matagais mediterrânicos, montados e zonas pedregosas com vegetação escassa. É possível encontrar este roedor também em construções humanas, hortas, jardins e pomares. Apesar de toda esta variedade de habitats que o leirão pode ocupar, prefere particularmente florestas de carvalhos. Ocorre desde o nível do mar até altitudes superiores a 1500 m.
Esta espécie tem hábitos noturnos, porém pode estar ativo logo após o amanhecer. Durante o dia abriga-se em ninhos esféricos, construídos normalmente em árvores, revestidos com musgo, pelos e penas ou então aproveita abrigos de esquilos ou ninhos de aves adaptando-os. Durante os períodos mais frios do ano (normalmente entre Setembro e Abril, embora dependa das condições ambientais locais) hiberna em troncos ocos de árvores ou em cavidades de muros e de cavernas. As diferentes espécies de leirão são conhecidas por serem arborícolas, no entanto, esta espécie despende cerca de 1/3 do seu tempo no solo. Cada indivíduo ou grupo ocupa um território definido, com cerca de 150 m de diâmetro, mantendo-se inalterado de um ano para o outro. Como estratagema anti-predatório perdem facilmente a pele da cauda, processo que acaba com as vértebras ao descoberto. Tal como alguns musaranhos, já foi observado várias vezes a mover-se em fila, comportamento designado por caravana.
Alimentação: invertebrados, frutos, sementes, crias de aves e de outros roedores e ovos. Embora omnívoro, a dieta do leirão inclui mais proteína animal do que vegetal.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 19 – 32 cm.
Peso: entre 45 – 120 g (até 210 g antes do período de hibernação).
Roedor com olhos e orelhas grandes. Na região dorsal o leirão apresenta pelagem castanho-avermelhada/acinzentada e branca na zona ventral e nas patas. A cauda é longa, quase do comprimento do corpo, espessa e negra na parte superior, terminando num tufo branco. Uma caraterística identificativa desta espécie é a máscara negra que está presente desde parte inferior das orelhas até aos olhos.

© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Leirão adulto.

Reprodução
Os acasalamentos ocorrem logo após a hibernação, em Abril (a época de reprodução estende-se até junho). O período de gestação dura entre 21 e 23 dias e os nascimentos ocorrem entre maio e junho. Podem ter 1 a 2 ninhadas por ano, com 4 a 5 crias.
 
Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Macdonald, D., and Barret P. (1993). Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas, Porto.
Bertolino, S., Cordero, N., Currado, I. (2003). Home Ranges and Habitat use of the Garden Dormouse (Eliomys quercinos) in a Mountain habitat in Summer. Acta Zoológica Academiae Scientiarum Hungaricae 49, 11-18.
http://www.iucnredlist.org/details/7618/0

Esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris)

O esquilo-vermelho é um roedor muito conhecido por todos nós. Em Portugal extinguiu-se no século XVI, mas nos dias de hoje já é possível observa-lo no Norte do país. É um animal extremamente ágil, que trepa e movimenta-se com bastante facilidade nas árvores. 

  [© Aramando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Sciuridae
Género: Sciurus
Espécie: Sciurus vulgaris

Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
Distribui-se por grande parte do Paleártico, desde Portugal até ao arquipélago japonês. Está ausente nas zonas mais frias da Europa e da Ásia e também na metade sul deste último continente. Em Portugal, o esquilo-vermelho parece ter se extinguido durante o século XVI, no entanto, a partir dos anos 80 voltou a ocorrer em território nacional devido á expansão de indivíduos originários do norte de Espanha. Atualmente está presente no norte de Portugal (em expansão) e no Parque Natural de Monsanto, local onde foi introduzido em 1993.
Abundante em grandes florestas de coníferas (50 ha), embora seja menos comum em bosques mais pequenos e florestas de caducifólias (ex. faia, carvalho, aveleira).
O esquilo-vermelho tem atividade diurna (30 minutos antes do amanhecer), sendo que o pico de atividade no verão verifica-se entre 2 a 3 horas antes do anoitecer e 3 a 4 horas depois do anoitecer. No Inverno, está mais ativo durante a manhã.
Os esquilos-vermelhos são excelentes trepadores de árvores, muitas vezes movimentando-se de árvore em árvore aos saltos. O comportamento antipredatório implica normalmente a fuga para o lado mais afastado do tronco, onde ficam imóveis e comprimidos contra este. Também são bons nadadores.
Têm como predadores naturais a marta (Martes martes), aves de rapina como o açor (Accipiter gentilis), cães e gatos. Também são vítimas de atropelamentos. A mortalidade estimada antes de um ano de idade é de 70%, diminuindo nos anos seguintes. A longevidade máxima registada em estado selvagem é de 7 anos.
Esta espécie não é muito territorial, havendo pouca agressividade para com conspecíficos, no entanto, durante a época de reprodução os machos dominantes exercem liderança sobre os subordinados e monopolizam os acasalamentos.
Alimentação: É principalmente herbívoro, alimentando-se de sementes de coníferas (abeto e pinheiro), bagas, bolotas, fungos, casca e floema (seiva). Muito esporadicamente comem vertebrados, como restos de aves, e ovos. Por dia consomem cerca de 5% do seu peso corporal.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – cauda: entre 32 – 44 cm.
Peso: entre 200 – 480 g.
O nome desta espécie pode ser enganador, pois existe alguma variedade de cores da pelagem, desde o castanho-avermelhado ao preto, passando por toda uma gama de castanhos e cinzentos. É sabido que toda esta variação tem uma certa relação com as condições ambientais: o vermelho-arruivado está associado a áreas quentes e secas (ex. florestas de coníferas) e as pelagens mais escuras estão associadas a áreas mais frescas e húmidas (ex. florestas de coníferas). As cores também podem variar consoante a altura do ano, por exemplo, castanho-avermelhado no Verão e castanho-escuro no inverno. O ventre mais claro que o resto do corpo, geralmente é branco. As orelhas são grandes e terminam num tufo de pelos compridos, que tem maior tamanho no inverno e desaparece no verão. Os olhos são grandes e a cauda é comprida e espessa, servindo de cobertor nos dias mais frios, sendo também importante no equilíbrio. Os fortes dedos possuem garras compridas, curvas e dentadas nas faces laterais.
As pegadas das patas posteriores são muito maiores que as das patas anteriores, as primeiras têm 5 dedos e as últimas têm 4. Os restos de comida podem ser usados também para detetar a presença de esquilos, como cascas de bolotas e castanhas e pinhas roídas.

 [© Aramando Caldas, todos os direitos reservados]

Reprodução
Pode reproduzir-se praticamente em qualquer altura do ano, dependendo do clima e da disponibilidade de alimento. No entanto, os picos de reprodução ocorrem na Primavera e no Verão, podendo cada fêmea ter duas ninhadas por ano. Os machos exibem-se às fêmeas mostrando a sua agilidade, executando todo o tipo de acrobacias de que são capazes e, para isso, movimentam-se entre troncos e ramos das árvores.
O período de gestação dura entre 36 e 42 dias e nascem normalmente 3 crias por ninhada, mas pode variar entre 1 e 8. As crias iniciam a sua atividade fora do ninho 7 a 8 semanas após o nascimento e tronam-se independentes passadas 10 a 16 semanas. O desmame ocorre passadas cerca de 8 semanas. Apenas a fêmea tem cuidados parentais.

Bibliografia
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa.
Macdonald, D., and Barret P. (1993). Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas, Porto.
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Esquilo-vermelho?bl=1&viewall=true#Go_1
http://maps.iucnredlist.org/map.html?id=20025

Ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)

O ouriço-cacheiro é um inofensivo mamífero insectívoro pertencente à nossa fauna, encontrando-se muitas vezes no nosso jardim. É conhecido por ter espinhos, que o protege dos predadores.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Erinaceomorpha
Família: Erinaceidae   
Género: Erinaceus
Espécie: Erinaceus europaeus
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
Ocorre na maior parte do oeste europeu, incluindo nas Ilhas Britânicas. Está presente também na Escandinávia (exceto em território mais interior), na zona mais ocidental da Sibéria e no norte da Rússia. Em Portugal ocorre em todo o território, sendo uma espécie abundante. Foi ainda introduzida nos Açores.
O ouriço-cacheiro habita florestas de folha caduca, pastagens húmidas e prados. Também aparece muitas vezes associado a jardins e dunas com vegetação arbustiva. São raros em florestas de coníferas, campos de cereais, terrenos pantanosos e está ausente acima da linha de árvores nas serras.
Esta espécie, à semelhança de outros mamíferos, hiberna e para isso constrói ninhos com gramíneas e folhas, que são semelhantes para os nascimentos no verão. Por vezes usa tocas de coelhos abandonadas. No verão refugia-se na vegetação durante o dia, visto que é uma espécie noturna. É solitário e macho e fêmea não partilham o mesmo ninho, pelo que parece existir um sistema baseado no olfato de forma a evitar contacto. Não é territorial, no entanto pode-se observar alguns encontros agressivos. A visão é pouco desenvolvida, que é compensada pelo olfato e audição.
As principais causas de morte são os atropelamentos e a fome durante a hibernação. Também é predado por alguns animais, como texugos, raposas, martas e muitos outros carnívoros e algumas rapinas. Em média o ouriço-cacheiro sobrevive durante três anos, mas pode chegar aos 10. Quando se sente ameaçado enrola-se, escondendo as partes desprovidas de espinhos e podem gritar como porcos.
Alimentação: Principalmente invertebrados do solo, como escaravelhos, minhocas, lagartas, aranhas, lesmas, etc.. Também pode alimentar-se de vertebrados, como sapos, lagartos, juvenis de roedores e de pássaros, assim como ovos de aves e carne em decomposição.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – cauda: entre 240 – 305 mm.
Peso médio: 700 g. Um animal que não pese pelo menos 500-600g, dificilmente sobreviverá ao inverno.
A identificação do ouriço-cacheiro é muito fácil, visto que é o único mamífero da fauna portuguesa com o corpo coberto de espinhos (cerca de 6 mil), que não são mais do que pelos modificados. Estes espinhos bastante aguçados têm cerca de 2-3 cm de comprimento e estão presentes em todo o dorso; na zona ventral e na cabeça tem pelo grosso e ralo, de cor castanho acinzentado. Os espinhos têm anéis claros e escuros alternados, com uma banda preta na ponta, que fazem variar a cor dos indivíduos entre o amarelado e o acastanhado. Os olhos são grandes, as orelhas pequenas e a cauda é rudimentar. Não existe dimorfismo sexual evidente.
As fezes são depositadas ao acaso, têm uma forma parecida com uma salsicha variável em tamanho (geralmente com um 1 cm de diâmetro e 4 cm de comprimento) e normalmente, são pretas notando-se restos de besouros e de outros insetos. Deixam trilhos bem visíveis nas ervas altas.

 [Foto retirada de http://www.freeimages.com/photo/1240829]
 
Reprodução
A época de reprodução estende-se desde Abril até a Agosto e a gestação ocorre entre Maio e Outubro. Os juvenis começam a reproduzir-se quando fazem 12 meses de idade. O ritual de acasalamento consiste no macho e a fêmea andarem cerca de 1 hora em volta um do outro. Depois da cópula o macho abandona a fêmea, sendo apenas esta que realiza cuidados parentais. Podem existir 2 ninhadas por ano.
O período de gestação dura cerca de 12 semanas, nascendo normalmente 4 a 6 crias (embora possam nascer entre 2 e 10) que abandonam o ninho passados 22 dias. O desmame acontece passadas 4 a 6 semanas do nascimento das crias.

Bibliografia
Macdonald, D. e outros. 1993. Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas
Almeida, P. e outros. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Ourico-cacheiro?bl=1&viewall=true#Go_1
http://www.iucnredlist.org/details/29650/0

Lobo-ibérico (Canis lupus signatus)

Actualmente o lobo-ibérico é o maior carnívoro existente em Portugal. Alimenta-se de presas de grande porte e utiliza técnicas de caça sofisticadas para conseguir o seu alimento. Esta subespécie existe apenas na Península Ibérica, estando as suas populações constantemente em perigo, face às actividades humanas.

 [© Grupo Lobo, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Canidae   
Género: Canis
Espécie: Canis lupus
Subespécie: Canis lupus signatus
 
Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Em Perigo” (EN). O Homem foi e ainda é o principal factor de regressão desta espécie (perseguição directa, diminuição das presas naturais e diminuição do habitat), sendo os danos no gado e o perigo que representam para a nossa espécie muitas vezes exagerados.
O lobo-ibérico é uma subespécie endémica da Península Ibérica que no século XIX ocupava grande parte do território, mas actualmente encontra-se restrito ao quadrante noroeste. Em Portugal a população de lobo ocorre sobretudo a norte do rio Douro, em continuidade com a população espanhola. Existe também uma população isolada a sul do rio Douro, que está bastante fragmentada. O número de alcateias deverá variar entre 45 e 55 a norte do rio, não ultrapassando as 10 a sul do mesmo.
No nosso país preferem como habitat zonas montanhosas, por apresentarem menores densidades populacionais humanas e agricultura menos intensiva.
O lobo é um animal social, formando grupos familiares constituídos normalmente por um casal reprodutor, um ou mais adultos ou subadultos e as crias do ano. Esta tendência para formar alcateias permite a esta espécie caçar animais muitas vezes maiores que ela própria. Em Portugal o número de animais por alcateia varia entre 3 a 5 indivíduos no final do Inverno e entre 7 a 10 no Verão, devido ao nascimento de crias.
O lobo é principalmente nocturno na Europa, devido à perseguição pelo Homem. Pode chegar aos 16/17 anos em cativeiro. Em liberdade a mortalidade das crias é elevada, factor que contribui negativamente para a sua conservação. É uma espécie de topo da cadeia alimentar, por isso, não apresenta inimigos naturais.
Os lobos são animais com uma resistência física extraordinária, atingindo os 55-70 km/h e podem manter, no caso de grandes distâncias, uma velocidade média de 8 Km/h.
Alimentação: caça animais de médio a grande porte como javali, veado, corso. Quando as presas naturais são escassas pode-se alimentar de animais domésticos.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – cauda: ♂ entre 131 – 178 cm; ♀ entre 132 – 165 cm.
Peso médio: ♂ 35 Kg; ♀ 30 Kg
O lobo-ibérico é a subespécie de lobo mais pequena e a que pesa menos em comparação com todas as outras. Dependem muito da sua audição e olfacto, que são extremamente bem apurados, mas a visão também é relativamente boa.
Apresenta cabeça volumosa, com orelhas triangulares. A pelagem é geralmente acinzentada, com a zona dorsal castanho-amarelado e com uma mancha negra que se estende até à cauda. A zona ventral é, geralmente, branco-amarelada e a garganta e as faces são brancas. Nas patas exibe uma lista negra bem definida, que é mais evidente durante o Inverno; a pelagem nesta altura do ano apresenta tons mais escuros do que a pelagem de Verão. A presença de tons avermelhados e/ou amarelados são características particulares desta subespécie.
As pegadas são muito difíceis de distinguir das dos cães de tamanho semelhante, mas as do lobo são mais compridas (a dos cães são mais arredondadas). Podem detectar-se também pelo cheiro a urina e arranhadelas no chão, que são formas de marcar territórios.
Faz tocas ou aumenta as de outras espécies entre as raízes das árvores, debaixo de rochas ou grutas, com cobertura densa.

[Foto retirada de http://www.freeimages.com/photo/972944]
 
Reprodução
A época de reprodução compreende-se entre Fevereiro e Março e atingem a maturidade sexual aos 2 anos de idade. Os nascimentos, 4 a 6 por ninhada, acontecem entre Abril e Maio. Em geral, todos os indivíduos da alcateia participam na criação dos lobachos e quando apresentam quase o tamanho de adulto iniciam o processo de aprendizagem da caça.

Notas
O lobo é uma espécie que desde sempre necessitou de muito espaço para sobreviver. Com o aumento da população humana o habitat desde belíssimo animal foi sendo fragmentado e destruído, restando apenas algumas populações em toda a Europa. Na Península Ibérica ocorre a subespécie Canis lupus signatus única em todo o planeta e que infelizmente também tem visto os seus efectivos reduzirem.
Muitos mitos ainda persistem sobre o lobo e o confronto com o Homem contínua a deixar cicatrizes, por isso, é o dever de todos nós, amantes da natureza, fazer de tudo para que esta espécie continue a pertencer aos nossos ecossistemas. Muitas instituições, tal como o “Grupo Lobo”, têm tido um papel importantíssimo na conservação do lobo em Portugal e esperemos que um dia esta espécie recupere, pelo menos dentro dos possíveis.
 
Bibliografia
Macdonald, D. e outros. 1993. Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas
Almeida, P. e outros. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-lobo?bl=1&viewall=true#Go_1
http://lobo.fc.ul.pt/?page=conteudos/morfologia

Cabra-montês (Capra pyrenaica)

A cabra-montês (Capra pyrenaica) é uma espécie rara em Portugal, existindo actualmente apenas na Serra do Gerês e na Serra Amarela. No século XIX foi considerada extinta, mas devido a esforços de reintrodução na Galiza, voltou a colonizar  terras portuguesas.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Animal em cativeiro

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetartiodactyla
Família: Bovidae   
Género: Capra
Espécie: Capra pyrenaica

Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Criticamente em Perigo” (CR). População muito reduzida em Portugal.
No passado a cabra-montês distribuía-se por todas as regiões montanhosas da Península Ibérica, mas nos últimos séculos as populações sofreram um grande decréscimo, sendo que na vertente francesa dos Pirenéus desapareceu em meados do século XIX. Em 1892 foi observado o último exemplar de Portugal, na Serra do Gerês, sendo importante referir que as populações portuguesas pertenciam à subespécie Capra pyrenaica lusitânica. Já no início do século XXI extinguiram-se as últimas populações dos Pirenéus do lado de Espanha, ficando a área de distribuição reduzida às regiões montanhosas do Centro e Sul de Espanha. Em 1997 reintroduziu-se cabras pertencentes à subespécie C. p. victoriae  na Serra do Xurês e, como consequência, em 1999 registou-se a presença de indivíduos na Serra Amarela e na Serra do Gerês.
A cabra-montês ocorre preferencialmente em zonas montanhosas rochosas, com áreas de florestas e matos temperados. Pode também ser vista em pastagens naturais e artificiais e terrenos agrícolas.
Espécie especialmente diurna, com dois picos de actividade (amanhecer e anoitecer). Fora da época de reprodução juntam-se em grupos de 50 a 60 indivíduos de todas as idades e sexos.
Os principais inimigos da cabra-montês são o lobo (Canis lupus signatus) e a águia-real (Aquila chrysaetos), que predam sobretudo os juvenis. Estes animais podem atingir os 16 anos de idade em estado selvagem.
Alimentação: A dieta baseia-se em ervas e rebentos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – cauda: ♂ entre 149 – 166 cm; ♀ entre 128 – 149 cm.
A cor da pelagem dos machos varia nas diferentes subespécies, mas no geral é castanha clara, com lista negra ao longo do dorso e membros. Flancos, peito e fronte escuros (a extensão destas manchas varia novamente de subespécie para subespécie). O macho tem ainda barbicha e cornos torcidos numa leve espiral, voltados para cima e para fora. As fêmeas têm cornos mais pequenos e pelagem mais clara.
Os excrementos são idênticos aos da cabra-doméstica.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Animal em cativeiro

Reprodução
O cio estende-se de Novembro a Dezembro e os nascimentos ocorrem em Maio, sendo que o período de gestação dura cerca de 23 semanas. Uma cria por ninhada, ocasionalmente duas e apenas têm uma ninhada por ano.
A maturidade sexual é atingida aos 2,5 anos de idade nas fêmeas, sendo que os machos têm acesso limitado às fêmeas pelos machos dominantes.

Bibliografia
Macdonald, D. e outros. 1993. Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas
Almeida, P. e outros. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
http://www.iucnredlist.org/details/3798/0

Lontra (Lutra lutra)

Este animal de hábitos anfíbios pode ser encontrado por grande parte do país, tanto em rios como junto à costa. No entanto, é um dos mamíferos europeus mais ameaçados. 

"Lontra[© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Género: Lutra
Espécie: Lutra lutra

Ecologia
Estatuto de Conservação: “Vulnerável”. A destruição de habitats, a caça ilegal e a mortalidade acidental são os principais factores que contribuem para o estatuto desfavorável da espécie.
Encontra-se desde a costa ocidental da Irlanda e de Portugal até ao Japão e desde a Finlândia até à Indonésia. Ocorre também no Norte de África. Portugal apresenta das populações mais saudáveis da Europa, estando bem distribuída pelo território, no entanto, ainda com alguma vulnerabilidade.
A lontra é uma espécie dependente de locais húmidos e pode viver tanto em zonas de água doce, onde exista cobertura vegetal adequada, ou em zonas com água salgada (por ex. na costa ou em estuários). Reproduz-se e descansa em tocas, como buracos de árvores, cavidades nas rochas e tuneis na turfa. Estes refúgios podem possuir uma chaminé de arejamento e uma entrada subaquática. Descansa também à superfície, em “camas”, se a vegetação o permitir.
A lontra é essencialmente nocturna, permanecendo na toca ou na “cama” durante o dia, no entanto, tem um período de inactividade a meio da noite. Vive em grupos familiares de uma ou mais fêmeas e as crias desse ano, ocupando um determinado território; os machos adultos são solitários e só se juntam às fêmeas apenas alguns dias para acasalarem. Esta é uma espécie anfíbia, podendo nadar até 8h seguidas e fazer mergulhos de 40 segundos.
A lontra praticamente não possui inimigos naturais, no entanto, as crias podem ser mortas por cães. Vivem em média 3 a 4 anos.
Alimentação: Fazem parte da sua dieta sobretudo peixes, como a enguia, o salmão, a perca, o lúcio e a carpa. No entanto pode alimentar-se, ocasionalmente de outros vertebrados (aves aquáticas, ratos-de-água, ratazanas e anfíbios) e de invertebrados (lagostins, caranguejos, vermes e insectos).

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – cauda: ♂ entre 96 – 137cm; ♀ entre 94 – 102 cm.
Como é típico dos mustelídeos, o corpo é alongado e esguio e os membros são curtos. A cauda é comprida, espessa na base e afunila suavemente até à ponta. A cabeça, assim como o focinho, é achatada e larga e as orelhas são pequenas. Todas as patas estão providas de membrana interdigital permitindo, à lontra, uma fácil e veloz deslocação na água.
O pelo castanho-escuro, macio e lustroso fica em evidência quando emerge da água. O ventre é mais acinzentado, podendo possuir uma mancha branca por baixo do queixo.

"Lontra[© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Reprodução
Reproduz-se em qualquer altura do ano e a gestação dura cerca de 62 dias. 1 a 5 crias por ninhada (apenas uma ninhada por ano). Os juvenis são levados para a água e encorajados a nadar por volta dos 3 meses. O desmame ocorre após 16 semanas do nascimento das crias. Os cuidados parentais são praticados unicamente pela fêmea e as crias são abandonadas entre 10º e o 12º mês.

Bibliografia

  • Macdonald, D. e outros. 1993. Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas
  • http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Lontra?bl=1&viewall=true#Go_1
  • Veado-vermelho (Cervus elaphus hispanicus)

    Este é o maior mamífero de Portugal, pode chegar aos 250 kg, tendo apenas o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) como inimigo natural. Na Península Ibérica ocorre uma subespécie diferente de todas as outras da Europa. .

     Fig. 1 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Veado-vermelho macho.

    Taxonomia
    Reino: Animalia
    Filo: Chordata
    Classe: Mammalia
    Ordem: Artiodactyla
    Família: Cervidae
    Género: Cervus
    Espécie: Cervus elaphus

    Ecologia
    Estatuto de Conservação: “Pouco preocupante”.
    O veado é um dos mamíferos com maior distribuição a nível Mundial. Ocorre naturalmente na Europa, América do Norte, Ásia e Norte de África; na Oceânia e América do Sul a espécie foi introduzida. Em Portugal as principais populações de veado no estado selvagem encontram-se em Montesinho, Lousã, Tejo Internacional, Moura, Mourão, Barrancos e Monchique.
    Na Península Ibérica habita matagais de esteva e montados. Sobrais, azinhais e carvalhais, com algum mato são locais bastante frequentados, embora procurem sempre clareiras com erva.
    Esta espécie inclui 12 subespécies, das quais 8 ocorrem na Europa. Na Península Ibérica ocorre a subespécie Cervus elaphus hispanicus.
    Os machos e as fêmeas estão grande parte do ano separados, excepto na época de reprodução; os machos juntam-se em grupos relativamente numerosos, enquanto que as fêmeas formam grupos matriarcais (fêmea adulta + filha + neta).
    Alimentação: Bolotas, que são um alimento importante no Outono/Inverno, erva e outras plantas.

    Morfologia Externa e Identificação
    Comprimento: Cabeça – corpo: entre 160 – 250 cm.
    O veado-vermelho é o maior mamífero de Portugal, podendo os machos atingir 250 kg e as fêmeas 150 kg. Na Europa Central chegam aos 350 kg.
    No Verão o pêlo é castanho avermelhado e castanho-escuro no inverno, isto devido à mudança de pêlo. A cauda e o escudo anal são importantes para a distinção entre as diferentes espécies de cervídeos. A cauda é curta e acastanhada e o escudo é mais claro que o resto do corpo (tons de amarelo). As crias até aos 2 meses de idade têm manchas claras dorsais, que são importantes na camuflagem.
    Quase todos os machos da família Cervidae possuem hastes, que as usam para lutar pelo direito ao acasalamento. As hastes caem todos os anos após a época de reprodução, mas passadas algumas semanas começam a crescer novamente. Durante este crescimento, as hastes estão cobertas por veludo (epiderme rica em vasos sanguíneos), que as protege e irriga. O veludo com o tempo vai caindo, e quando as hastes estão totalmente formadas este já não as cobre. Normalmente em cada ano as hastes aumentam em tamanho e em número de ramificações, relativamente ao ano anterior. O tamanho e complexidade destas estruturas estão relacionadas com a organização social.

     Fig. 2 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Fêmea e cria de veado-vermelho.

    Reprodução
    Todos os anos os machos lutam na época de reprodução (entre Setembro e Novembro) e emitem bramidos, que são parecidos com o mugir das vacas. O tempo de gestação dura cerca de 7 a 8 semanas e as crias nascem entre Maio e Junho.

    Bibliografia

    Raposa-vermelha (Vulpes vulpes)

    A raposa-vermelha (Vulpes vulpes), um dos mais abundantes mamíferos carnívoros, pode ser encontrado mesmo ao lado das nossas casas. É uma espécie cosmopolita (distribuída por practicamente todo o Mundo) muito bem estudada.

     Fig.1 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Raposa-vermelha.

    Taxonomia
    Reino: Animalia
    Filo: Chordata
    Classe: Mammalia
    Ordem: Carnivora
    Família: Canidae   
    Género: Vulpes  
    Espécie: Vulpes vulpes 

    Ecologia
    Estatuto de Conservação: “Pouco preocupante”.
    Encontra-se em toda a Europa excepto na Islândia. Está ainda presente na Ásia e Norte de África e foi introduzida na América do Norte e na Austrália. Em Portugal distribui-se por todo o país, podendo inclusive, tolerar bem a presença humana.
    Este animal ocorre em quase todos os habitats, ocupando especialmente matagais em mosaico, florestas e campos agrícolas. É também abundante em zonas pantanosas, montanhas, dunas de areia, subúrbios e cidades.
    Tem sobretudo, uma actividade nocturna e crepuscular, mas pode ser mais diurna em locais sossegados. Vive em grupos, formados por um macho adulto e várias fêmeas.
    Consome roedores, lagomorfos, aves, insectos (principalmente besouros), ovos e minhocas. Também se pode alimentar de ouriço-cacheiros e de frutos; pratica necrofagia.

    Morfologia Externa e Identificação
    Comprimento: Cabeça – corpo: entre 58 – 90 cm. Cauda: entre 32 – 48 cm. O macho é, normalmente, maior do que a fêmea (em média: cabeça – corpo: ♂ 67 cm; ♀ 63 cm. Cauda: ♂ 41 cm; ♀ 38 cm).
    Apresenta uma silhueta esguia onde sobressai a cauda longa e espessa, e uma cabeça pequena, com olhos oblíquos e orelhas grandes, erectas, triangulares e pretas na parte de trás. A pelagem é, geralmente, avermelhada com tons de cinzento e de castanho, mas pode variar até cor de areia, sendo mais curta no Verão e longa e espessa no Inverno. A subespécie que ocorre entre nós (Vulpes vulpes silacea) apresenta uma coloração menos brilhante e é comum a cauda ser cinzenta. A extremidade da cauda e a garganta são frequentemente brancas. As crias nascem cegas e têm uma pelagem castanho-escura.
    A existência de tocas é um bom indício da presença de raposas, sendo estas escavadas pelas fêmeas, ou então aproveitam e alargam as tocas dos coelhos ou texugos.

     Fig. 2 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Aspecto geral.

    Reprodução 
    Os acasalamentos têm lugar entre Dezembro e Fevereiro e os nascimentos acontecem entre Março e Maio. O período de gestação dura cerca de 53 dias e nascem 4 a 5 crias por ninhada. Cada fêmea dá origem apenas a uma ninhada por ano.
    Tanto o macho como a fêmea participam nos cuidados parentais, estando as crias prontas para uma vida independente no Outono.

    Bibliografia
    http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Raposa-cosmopolita-e-bem-sucedida?bl=1&viewall=true#Go_1

    Macdonald, D. e outros. 1993. Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas