Arquivo da categoria: Aves

Informações sobre as aves que ocorrem no nosso país.

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

A cegonha-branca (Ciconia ciconia) é uma das aves mais conhecidas e emblemáticas da avifauna portuguesa. As suas características únicas, torna a sua identificação muito fácil, mesmo quando está em voo.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Cegonha-branca adulta.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Ciconiiformes
Família: Ciconiidae
Género: Ciconia
Espécie: Ciconia ciconia

Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC), embora no passado estivesse classificada como “Vulnerável” devido aos números reduzidos de indivíduos que existiam no país e no resto do mundo em geral. Este declínio populacional, durante o século XX, foi resultado de uma longa seca em África, onde a espécie inverna. Mundialmente está também classificada como “Pouco preocupante”, pois esta espécie tem uma distribuição extremamente ampla e o tamanho da sua população mundial não se aproxima dos limiares de vulnerabilidade.
A cegonha-branca está presente por quase toda a Europa, com exceção de algumas áreas da Europa Central. Na Ásia ocorre de forma descontínua, mas formando populações extensas em área e em África distribui-se de forma alargada e contínua. É importante reter que a distribuição da cegonha depende da altura do ano, uma vez que é uma espécie migradora. Em Portugal nidifica de norte a sul, mas é escassa no Noroeste do país, sendo notoriamente mais comum a sul do rio Tejo, concentrando-se sobretudo no Alentejo (pode ver o mapa de distribuição aqui).
Habita preferencialmente as proximidades de zonas húmidas, mas ocorre também em terrenos secos. Frequenta, por isso, um vasto leque de habitats, desde terrenos abertos com pastagens ou pousios e montados abertos, a habitats mais húmidos como, charcas, açudes, pauis, rios, ribeiras, lameiros, lagoas costeiras, estuários e arrozais. Aceita com facilidade a presença humana, construindo os seus ninhos frequentemente em estruturas não naturais. As lixeiras, em algumas zonas, são também exploradas pela espécie.
As populações de cegonha-branca, em Portugal, são constituídas no inverno por indivíduos residentes e durante a época de reprodução há um elevado reforço de indivíduos migradores. É uma migradora excecionalmente precoce, uma vez que as zonas de criação do Alto Alentejo começam a ser ocupadas a partir de meados de novembro. No entanto, a maior parte das aves chegam em janeiro e fevereiro e regressam aos seus locais de invernada a partir da primeira quinzena de julho.
Em Portugal ocorre a subespécie C.c.ciconia.
Alimentação: espécie generalista, mas os invertebrados parecem ser o alimento mais consumido em muitas regiões. Também se alimenta de pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e aves. A expansão do lagostim-vermelho (Procambarus clarkii) deverá ter resultado numa alteração significativa do regime alimentar em muitas áreas, já que é uma espécie bastante consumida pela cegonha.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 95 – 110 cm.
Envergadura: entre 180 – 218 cm.
A cegonha-branca é uma ave de dimensão muito grande, com o pescoço e patas compridas. Apresenta uma plumagem branca que contrasta com as penas de voo (primárias, secundárias e terciárias), grandes coberturas, coberturas primárias, alula e escapulares, que são pretas. O bico é bastante comprido e forte, que tal como as patas é avermelhado. O dimorfismo sexual é pouco evidente e de difícil perceção no campo, sendo o macho ligeiramente maior do que a fêmea.
Os juvenis distinguem-se dos adultos através da coloração do bico e das patas. O bico, nas primeiras fases da vida, é mais curto e escuro, passando progressivamente a uma coloração mais avermelhada com a ponta preta. As patas são mais pálidas nos juvenis.
Ao voar mantém o pescoço esticado e projeta as patas para trás, tornando a sua silhueta bem distinta da maior parte das restantes aves.
Esta espécie não vocaliza, mas produz um ruído alto com o abrir e fechar do bico, ouvido sobretudo quando os casais se reúnem no ninho (ouvir aqui).

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Cegonha-branca adulta em voo.

Reprodução
A cegonha-branca é uma espécie monogâmica, que pode nidificar isoladamente ou em pequenas colónias, quer monoespecíficas, quer partilhadas com garças e colhereiros. Os ninhos podem ser usados durante anos sucessivos e são normalmente construídos em locais altos, como chaminés, edifícios, árvores, postes de eletricidade de alta tensão, falésias costeiras, etc.
A ocupação dos primeiros ninhos acontece em janeiro, acentuando-se este fenómeno durante os primeiros dias de fevereiro. As posturas são efetuadas durante o mês de março e são constituídas por 2 a 5 ovos. Os juvenis começam a voar por volta dos 60 – 70 dias de idade e cerca de um mês após o primeiro voo, a maioria torna-se independente e deixa o ninho.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Nas árvores podem-se ver vários ninhos de cegonha-branca.

Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Cegonha-branca-companheira-antiga-das-populacoes-humanas?bl=1&viewall=true#Go_1
http://www.avesdeportugal.info/ciccic.html
http://www.iucnredlist.org/details/22697691/0

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Melro-azul (Monticola solitarius)

O melro-azul (Monticola solitarius) é um passeriforme vistoso que pode ser observado em velhos castelos, ruínas ou zonas rochosas. O dimorfismo sexual é muito evidente nesta espécie, uma vez que o macho é azul e a fêmea castanha.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Melro-azul macho.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Muscicapidae
Género: Monticola
Espécie: Monticola solitarius
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC). Mundialmente está classificado com o mesmo estatuto, uma vez que esta espécie tem uma distribuição extremamente ampla e o tamanho da sua população mundial não se aproxima dos limiares de vulnerabilidade.
O melro-azul está presente no Sul da Europa e da Ásia, no Médio Oriente e em alguns locais de África. Ocorre um pouco por todo o território português, embora seja bastante raro ou até esteja ausente em vastas áreas do litoral norte e centro, assim como em grande parte do Ribatejo e do Alentejo (pode ver o mapa de distribuição aqui).
Surge sobretudo associado, principalmente durante a época de reprodução, a zonas rochosas, a regiões acidentadas, a vales escarpados de rios e à costa marinha. Também pode ocupar pedreiras abandonadas e construções humanas. Em algumas regiões do interior reside em zonas urbanas e é escasso nas regiões montanhosas mais elevadas. As exigências de habitat implica que o melro-azul esteja ausente em áreas desprovidas de zonas rochosas de uma certa dimensão.
As populações nidificantes em Portugal são residentes, no entanto, uma fração desconhecida de aves ibéricas realiza movimentos migratórios pelo menos até ao Norte de África. Tem principalmente hábitos diurnos e é uma espécie cautelosa, mantendo-se muitas vezes escondido.
Em Portugal ocorre a subespécie M. s. solitarius.
Alimentação: sobretudo invertebrados e pequenas lagartixas. No Outono e no Inverno, quando o alimento é mais escasso, também ingere material de origem vegetal.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 21 – 23 cm.
O melro-azul é um passeriforme de tamanho médio (um pouco mais pequeno do que o melro (Turdus merula)), esguio, de bico comprido e com patas e  íris pretas.
O macho tem uma tonalidade azul-acinzentada e as asas escuras. Os indivíduos no primeiro inverno têm uma cor menos viva do que os adultos, com um padrão vermiculoso escuro, e as coberturas das primárias são pálidas. A fêmea é completamente distinta dos machos, pois é castanho-escura e tem um padrão vermiculoso nas partes inferiores, no entanto, raramente pode apresentar um ténue tom azul no dorso, na parte superior da cauda e nos flancos.
O canto varia um pouco, sendo por vezes idêntico ao do melro-das-rochas (Monticola saxatilis) (ouvir aqui).

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Melro-azul fêmea.

Reprodução
O canto territorial dos machos pode ser ouvido com grande intensidade no mês de fevereiro, prolongando-se pela primavera, embora também possa ser ouvido no outono.
O melro-azul constrói os ninhos em fendas de rochas, pequenas grutas, edifícios ou muros. As posturas são normalmente constituídas por 4 a 5 ovos, a incubação dura entre 12 e 15 dias e as crias começam a voar com cerca de 18 dias de idade. Pode criar duas ninhadas por ano e nas serras de Aire e Candeeiros foi detetada nidificação de abril a julho, no entanto, pouco se sabe sobre a sua biologia de reprodução no nosso país.
 
Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://www.iucnredlist.org/details/22708286/0
http://www.avesdeportugal.info/monsol.html

Pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major)

O chamamento áspero ou o tamborilar do Pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major) são geralmente os primeiros sinais da sua presença. É o pica-pau mais comum em Portugal e pode ser observado em variados tipos de florestas e até mesmo em parques urbanos e jardins.

[© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Pica-pau fêmea adulto a transportar comida para as crias.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Piciformes
Família: Picidae
Género: Dendrocopos
Espécie: Dendrocopos major
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC). Mundialmente está classificado com o mesmo estatuto, uma vez que esta espécie tem uma distribuição extremamente ampla e o tamanho da sua população mundial é bastante grande.
Está presente em toda a Europa e no centro do continente asiático (incluindo a China e Japão). Também ocorre na Turquia e no Irão. Distribui-se por todo o território português, mas está ausente em áreas pouco florestadas, como por exemplo as planícies centrais do Baixo Alentejo (pode ver o mapa de distribuição aqui).
O pica-pau-malhado-grande é uma ave típica de habitats florestais e em Portugal ocorre em quase todos os tipos de florestas, embora seja menos abundante em eucaliptais, acaciais e em povoamento jovens de coníferas. Prefere zonas densamente arborizadas, mas pode ocorrer em matagais com árvores dispersas. Ocorre principalmente em, montados, pinhais adultos (de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e de pinheiro-de-casquinha (Pinus sylvestris)) carvalhais e certas matas ripícolas. De uma forma geral parece ser mais numeroso em matas de folhosas do que em pinhais.
É uma espécie residente e sedentária na Península Ibérica, no entanto, pode realizar pequenos movimentos erráticos. Nas áreas mais setentrionais e orientais são migradores eruptivos de curta distância. Tem principalmente hábitos diurnos.
Na Península Ibérica ocorre a subespécie D. m. hispanus.
Alimentação: a sua dieta baseia-se quase exclusivamente em insetos, mas também alimenta-se de sementes (ex. pinhões) principalmente durante o inverno. Ocasionalmente preda ovos e crias de outras aves.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 23-26 – 26 cm.
Envergadura: entre 38 – 44 cm.
O pica-pau-malhado-grande é facilmente identificado por apresentar a zona da cloaca e do ventre vermelho intenso, nitidamente demarcado do abdómen esbranquiçado. As “costas” são pretas contrastando com uma mancha oval branca em cada um dos ombros. O mesmo acontece nas asas que também são pretas com barras brancas. Na cabeça nota-se uma máscara branca, um “bigode” preto e uma coroa preta nos adultos e vermelha nos juvenis.
Os machos na parte posterior da coroa apresentam uma mancha vermelha, enquanto que as fêmeas apenas apresentam a coroa preta sem vermelho.
As aves do Oeste e Sul têm geralmente as partes inferiores e fronte branco-acastanhadas (mais escuras que os indivíduos das outras regiões) e bico ligeiramente mais fino.
À semelhança dos restantes pica-paus o voo é distintamente ondulado. Está sempre alerta e é uma ave cautelosa, fugindo à mínima perturbação, no entanto, no inverno pode frequentar comedouros para aves.
Apesar de ser uma ave discreta é detetado com relativa facilidade graças às suas vocalizações (ouvir aqui) que se fazem ouvir durante todo o ano.

[© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Pica-pau macho adulto.

Reprodução
Este pica-pau normalmente nidifica em árvores, mas ocasionalmente pode faze-lo em postes telefónicos. Também aceita bem caixas-ninho, mas a entrada deverá ter entre 3 e 3,5 cm de diâmetro e uma profundidade de 10 a 18 cm, pois são as características dos ninhos naturais. As primeiras paradas nupciais têm lugar a partir do final de janeiro e cria apenas uma ninhada por ano. As posturas são compostas por 4 a 6 ovos, os quais são incubados durante 11 a 12 dias. As crias tornam-se voadoras entre os 18 e os 20 dias de idade.
 
Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://www.iucnredlist.org/details/22681124/0
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Pica-pau-malhado-grande?bl=1&viewall=true#Go_1
http://www.avesdeportugal.info/denmaj.html

Frango-d’água (Rallus aquaticus)

O frango-d’água (Rallus aquaticus) é uma das espécies mais discretas e de difícil observação da nossa avifauna. São raras as vezes que se mostram, mas é possível ouvir as suas vocalizações que lembram um suíno.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Frango-d’água adulto.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
Género: Rallus
Espécie: Rallus aquaticus

Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC). Apesar de mundialmente estar classificado também como “Pouco preocupante”, aparentemente a pulação está a diminuir.
Distribui-se por toda a Europa, embora não exista nas zonas de maior altitude e nas zonas mais frias, Ásia e Norte de África. Também está presente na Islândia. Em Portugal o frango-d’água ocorre de Norte a Sul (distribuição que no litoral é alargada e no interior muito descontínua), embora seja rara em Trás-os-Montes e na Beira Interior devido à falta de habitat. Os pauis do Baixo Mondego, os estuários do Sado e do Tejo e a lagoa de Santo André são as principais áreas de ocorrência (pode ver o mapa de distribuição aqui).
O frango-d’água é uma ave típica de zonas húmidas, como lagoas, açudes, pauis, estuários, rios, ribeiras, arrozais em pousio, valas, canais e salinas abandonadas. É uma espécie extremamente discreta e muito difícil de observar, portanto a existência de vegetação densa e bem desenvolvida nestes habitats é extremamente importante (por exemplo, caniçais, sapais ou salgueirais).
É fundamentalmente residente no nosso país, no entanto, existe um fluxo significativo de indivíduos migratórios provenientes doutras partes da Europa. É uma ave de hábitos diurnos, que se alimenta caminhado em zonas de água pouca profunda ou cobertas de lama e mais raramente enquanto nada.
Em Portugal ocorre a subespécie nominal (Rallus aquaticus aquaticus).
Alimentação: omnívoro, embora ingira alimento de origem animal em maior quantidade, sobretudo invertebrados aquáticos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 23 – 26 cm.
O frango-d’água é uma ave relativamente pequena, com a parte traseira arredondada, pescoço um pouco comprido e bico longo, estreito e ligeiramente curvado. Possui as partes superiores castanho-azeitona malhadas de preto, face e peito cinzento-azulado e flancos e abdómen listrados de preto e branco. O bico é vermelho com o cúlmen e a ponta mais escuros, as patas são alaranjadas e a íris é avermelhada. Os juvenis são todos acastanhados, sem o cinzento-azulado (ver no primeiro vídeo).
É característico da espécie movimentar-se cautelosamente e a seguir rapidamente. Voa pequena distâncias, com batimento d asas muito rápidos e patas pendidas. Mantém frequentemente a cauda curta levantada, semelhante à carriça (Troglodytes troglodytes).
É muito difícil de observar o frango-d’água, mas é comum ouvi-lo. Pode ouvir as vocalizações aqui.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Frango-d’água adulto.

Reprodução
Por ser uma espécie tão furtiva nada se conhece sobre a reprodução em Portugal. Estudos realizados noutros países europeus mostram que estas aves são extremamente territoriais, têm uma época de reprodução prolongada e podem criar 2 ninhadas num só ano. Os ninhos são bem escondidos na vegetação densa e as posturas compreendem normalmente 6 a 11 ovos. A incubação dura de 19 a 22 dias.

Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://www.avesdeportugal.info/ralaqu.html
http://www.iucnredlist.org/details/full/22725141/0

Garça-branca-pequena (Egretta garzetta)

A garça-branca-pequena (Egretta garzetta) é bastante comum em Portugal, principalmente a sul do rio Vouga. Ocorrem especialmente em zonas húmidas onde podem ser vistas a alimentarem-se, ou a descansarem formando grandes colónias.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Garça adulta.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Pelecaniformes
Família: Ardeidae
Género: Egretta
Espécie: Egretta garzetta

Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
A garça-branca-pequena está presente na Europa, África, Ásia e Austrália. Nos anos 50 foi pela primeira vez observada no “Novo Mundo”, mostrando desde então evidências de colonização do continente americano. Em Portugal, ocorre por todo o território, mas apresenta variações de abundância consoante regiões. É mais comum ao longo do litoral a sul do rio Vouga e mais escassa a norte deste. No interior é rara a norte do rio Tejo, mas comum a sul do mesmo (embora no litoral seja mais comum). A população nidificante encontra-se principalmente a sul do rio Tejo e é composta por mais de 2 mil casais, que constituem cerca de 40 colónias (ver mapa
aqui).
Frequenta habitats aquáticos, tais como estuários, rias, pauis, lagoas costeiras, arrozais, salinas, rios, ribeiras, entre outros. No entanto, os arrozais são um dos biótopos de maior preferência ao longo de todo o ano para esta espécie.Uma parte da população nidificante da Península Ibérica efetua movimentos migratórios, sendo que o pico de maior abundância depende da zona em questão (normalmente entre março e setembro).
É típico os indivíduos desta espécie alimentarem-se isoladamente, parecendo defenderem locais de alimentação bem definidos. Tal como muitas outras aves a garça-branca-pequena forma dormitórios sobretudo durante o inverno, localizados fora dos locais de reprodução, partilhando-os com outros ardeídeos (em especial com a garça-boieira (Bulbucus ibis)). Estes dormitórios são normalmente instalados em árvores ou arbustos de zonas húmidas.
De hábitos diurnos, a garça-branca-pequena pode ser vista durante o dia a alimentar-se em zonas húmidas. Para aceder às áreas de alimentação podem-se deslocar vários quilómetros por dia.
Em Portugal ocorre a subespécie nominal (Egretta garzetta garzetta).
Alimentação: essencialmente peixes, anfíbios e invertebrados. A preferência por cada tipo de alimento varia de local para local.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 55 – 65 cm.
Envergadura: entre 88 – 106 cm.
A garça-branca-pequena é uma garça de dimensão média, esguia e elegante, com um pescoço comprido em forma de “S”. Uma característica única entre as garças do Paleártico Ocidental são as patas negras e os dedos amarelo-vivos de contraste intenso. O bico é preto e os loros são cinzentos-azulados durante a maior parte do ano e lilases durante a corte. A plumagem é toda ela branca e quando na época de reprodução, apresenta na nuca duas penas alongadas (ver no vídeo).
Pode ouvir as vocalizações da garça-branca-pequena aqui.


[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Garça adulta.

Reprodução
Formam colónias, muitas vezes com várias centenas de casais e constroem os ninhos em árvores, falésias e rochedos. A época de reprodução desta espécie é bastante prolongada, uma vez que os primeiros ninhos podem começar a ser construídos em Fevereiro e ainda se observam crias até ao início de Setembro. As posturas (constituídas por 2 a 6 ovos) podem ser feitas desde a primeira semana de Março a Junho.
 
Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://www.avesdeportugal.info/egrgar.html
http://www.iucnredlist.org/details/62774969/0

Falcão-peregrino (Falco peregrinus)

O falcão-peregrino (Falco peregrinus) é uma ave extraordinária, atingindo velocidades incríveis superiores a 320 Km/h.  Isto faz dele o ser vivo mais veloz do planeta, o que justifica o facto de ser uma das aves mais admiradas da fauna mundial.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Falcão-peregrino adulto.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Género: Falco
Espécie: Falco peregrinus
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Vulnerável” (VU). Espécie com população muito reduzida (entre 75 e 110 casais).
O falcão-peregrino é uma espécie cosmopolita, que apenas não existe na Antártida. Ocorre por quase toda a Eurásia e nidifica na maioria dos países Europeus. Em Portugal tem uma distribuição bastante alargada, mas dispersa tanto no interior como no litoral (Pode ver o mapa de distribuição aqui).
Normalmente não ocupa zonas muito florestadas, estando associado a paisagens com afloramentos rochosos de média a grande dimensão, em vales, serras e falésias marinhas. Durante a época de reprodução habita toda a costa portuguesa com falésias elevadas, incluindo a Berlenga e os Farilhões e também zonas montanhosas ou rios com fragas do interior (como o Parque Nacional da Peneda-Gerês ou o Douro Internacional). Fora desta época surge com frequência em espaços abertos ricos em caça, como as planícies do Alentejo ou algumas zonas húmidas. Pode ocorrer também em zonas urbanas e suburbanas, havendo várias observações no Porto e em Lisboa.
As aves nidificantes em Portugal são residentes e permanecem muitas vezes nos seus territórios durante todo o ano. A ocorrência de indivíduos em locais onde a espécie não nidifica é justificada por juvenis em movimentos de dispersão e aves migradoras oriundas de áreas de reprodução mais setentrionais. Alguns destes animais migradores possivelmente estarão apenas de passagem, com origem do Norte da Europa rumam às suas zonas de invernada na África Ocidental.
De hábitos diurnos, o falcão-peregrino é conhecido pela sua habilidade na captura das suas prezas. Esta ave é o ser vivo que atinge as maiores velocidades do planeta; em voo horizontal atinge velocidades superiores a 150 Km/h e em voo picado mais de 320 km/h. Utiliza os dois tipos de voo para perseguir as suas presas, mas o voo picado é mais imprevisível e eficaz, matando muitas vezes a presa só com o impacto. Pode ver o falcão-peregrino a caçar no vídeo em baixo.
Alimentação: é uma espécie ornitófoga, o que significa que se alimenta quase exclusivamente de aves. Qualquer ave que esteja presente no seu território não está a salvo, no entanto, tem preferência por pombos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: ♂ entre 38 – 45 cm; ♀ entre 46 – 51.
Envergadura: ♂ entre 89 – 100 cm; ♀ entre 104 – 113.
Falcão de dimensão média a grande, com uma diferença de tamanhos bastante notória entre sexos (a fêmea é maior e mais pesado). É corpulento, com o peito “pesado”, tem as asas pontiagudas e cauda de tamanho médio. Em voo, mantém as asas um pouco fletidas notando-se as articulações carpais bem dobradas. Os batimentos das asas são relativamente rápidos e muito amplos, interrompendo de vez em quando para planar. Quando a presa é avistada os batimentos tornam-se mais rígidos e a ave aumenta de velocidade. Pode aproveitar correntes térmicas para planar.
O falcão-peregrino apresenta a parte superior cinzento-ardósia, o uropígio cinzento-azulado pálido e a coroa e o bigode (largo e nítido) negros. As faces e garganta são de um branco liso, característica com maior extensão no macho. O resto da parte inferior do corpo é branca com barras horizontais escuras, assim como, a cauda apresenta barras transversais pretas tanto na parte superior como na inferior. O bico é azul-claro com ponta escura, as patas são amarelas com unhas pretas e a íris é também preta.
Os juvenis distinguem-se dos adultos por apresentarem o peito e o abdómen com riscado vertical castanho e pelas partes superiores acastanhadas.
Pode ouvir o chamamento do falcão-peregrino aqui.

[© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Falcão-peregrino juvenil.

Reprodução
Os ninhos são construídos em escarpas, edifícios e, por vezes, em árvores. Em Portugal, são encontrados quase exclusivamente em escarpas, mas ocasionalmente são reutilizados ninhos de outras espécies construídos em árvores.
A época de reprodução tem início em Fevereiro e os indivíduos de um casal mantêm-se unidos para sempre. As posturas são compostas geralmente por 3 a 4 ovos e a incubação dura 29 a32 dias. As crias estão aptas para voar passados 35 a 42 dias após a eclosão e tornam-se independentes passados mais dois meses.

Bibliografia
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Nicolai, J. (1999). Aves de Rapina. Evereste Editora.
Ponitz, B., Schmitz, A., Fischer, D., Bleckmann, H., Brucker, C. (2014). Diving-Flight Aerodynamics of a Peregrine Falcon (Falco peregrinus). PLOS ONE 9(2).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fauna-e-Flora/content/Falcao-Peregrino-o-voo-do-missil?bl=1&viewall=true#Go_1

Foto de capa de Armando Caldas

Narceja-comum (Gallinago gallinago)

A narceja-comum (Gallinago gallinago) é uma limícola que pode ser observada em zonas húmidas por todo o país durante o inverno. O padrão da sua plumagem torna-a difícil de detetar quando escondida por entre a vegetação, no entanto, as suas vocalizações são inconfundíveis ajudando a sua identificação.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Charadriiformes
Família: Scolopacidae
Género: Gallinago
Espécie: Gallinago gallinago
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Criticamente em perigo” (CR) em Portugal continental, visto que a população reprodutora é extremamente reduzida (estimada em 2-4 casais por ano). “Informação Insuficiente” (DD) nos Açores, embora segundo Rodrigues et al. (2011) a população está estimada entre 378 e 418 pares reprodutores..
A narceja-comum ocorre no Norte e Centro da Europa, na Ásia e em África (ver aqui mapa de distribuição). Em Portugal continental durante o inverno existe praticamente em todo o território, no entanto, é mais numerosa no litoral e nas várzeas dos grandes rios, como o Mondego, o Tejo e o Sado. É também importante referir que não é de forma alguma escassa no interior. No resto do ano a distribuição é muito restrita, apenas existe nos prados ao redor de Montalegre, em alguns locais junto ao rio Cávado, alguns pontos no Planalto da Mourela e em algumas ilhas do arquipélago dos Açores.
Esta variação de indivíduos durante o ano é explicada pelo facto da espécie ser principalmente invernante. As primeiras narcejas migradoras chegam no início de agosto, embora os números sejam reduzidos até finais de Setembro, surgindo a maior parte das aves a partir de outubro. Em março e abril a maioria dos indivíduos parte, mas ocasionalmente em maio ainda é possível observar algumas aves migradoras. As narcejas invernantes em Portugal têm origem de uma vasta área que vai da Islândia e do Reino Unido à Finlândia, á ex-Checoslováquia, à Áustria e à Ucrânia.
Em Portugal habita terrenos agrícolas alagados, pastagens encharcadas, ETAREs, açudes e ribeiras ou rios de curso lento desde que as margens sejam lamacentas ou apresentem prados húmidos. Entre os habitats de preferência encontram-se os pauis com caniço, junco e áreas de erva curta e lama. Nestes locais é possível em alguns casos observar concentrações de mais de uma centena de aves.
É durante o início da manhã e no final do dia que esta espécie está mais ativa. Tem como principais inimigos naturais algumas rapinas e o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) que preda os seus ovos.
Alimentação: Sobretudo invertebrados, que apanham com o seu longo bico enterrando-o no solo mole.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Entre 23 – 28 cm.
Envergadura: Entre 39 – 45 cm.
Limícola de dimensão média de forma relativamente atarracada, com bico direito e muito longo (6 a 7 cm). Como é normal deste grupo de aves, possui patas compridas, embora esta característica nem sempre seja evidente visto que muitas vezes se encontra agachada. A plumagem tem tons acastanhados, com riscas amareladas e na cabeça nota-se uma listra pálida. Este padrão permite uma camuflagem extremamente eficiente, sendo difícil a sua observação nos seus habitats preferidos. Os flancos têm barras escuras e o abdómen é branco, embora seja difícil de distinguir esta característica de alguns ângulos. Em voo é possível reparar na orla branca das asas, favorecendo a identificação desta espécie.
Quando espantada (geralmente entre os 10 e 15 m), voa em ziguezagues rápidos e emite um chamamento, subindo depois rapidamente num voo enrolado.
Pode ouvir as vocalizações da narceja-comum aqui.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Reprodução
A época de reprodução em Portugal continental é (ou pelo menos era, em meados do século XX) bastante longa, encontrando-se ninhos com ovos desde inícios de maio até inícios de agosto. As narcejas podem realizar uma ou duas posturas, que são compostas normalmente por 4 ovos e a incubação dura 18 a 21 dias. As crias poucas horas após nascerem são capazes de caminhar e de se alimentarem sozinhas, mas seguem sempre os progenitores que as guiam para as melhores zonas de alimentação e as protegem dos predadores. Estas começam a voar passados 19 a 20 dias de idade.
Os ninhos são construídos de forma a ficarem muito bem escondidos no chão, por entre erva relativamente curta.
 

Bibliografia
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Rodrigues, T., Gonçalves, D. (2011). Notes on breeding snipe on São Jorge Is. (Azores, Portugal).
Rodrigues, T., Silva, T., Rodrigues, M., Pereira, C., Lurdes, S., Pimenta, M., Gonçalves, D. (2013). Current state of the breeding population of Common Snipe in mainland Portugal. In: Ferrand Y. (ed). 7th European Woodcock and Snipe Workshop. May 16-18, 2011. Saint-Petersburg, Russia.
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Narceja?bl=1&viewall=true#Go_1
http://maps.iucnredlist.org/map.html?id=22693097

Melro-preto (Turdus merula)

O melro-preto é uma ave facilmente identificável e muito conhecida, que pode ser observada com frequência nos nossos jardins a apanhar invertebrados. Habita uma grande variedade de habitats, sendo uma das espécies mais bem distribuídas pelo território português.  

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Macho

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Turdidae
Género: Turdus
Espécie: Turdus merula
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
O melro-preto está presente em grande parte da Europa, exceto na zona mais oriental da Península Escandinava. Também pode ser encontrado na Islândia, nalgumas partes da Ásia e no Norte de África (ver aqui o mapa de distribuição). Em Portugal, ocorre de norte a sul, em todas as regiões do país. É provavelmente a ave portuguesa com a distribuição mais alargada durante todo o ciclo anual, encontrando-se desde o alto das serras mais agrestes (exceto nas zonas mais frias da serra da Estrela) até ao nível do mar.
O melro-preto é uma espécie principalmente florestal, frequentando qualquer biótopo com floresta, embora seja raro em eucaliptais extensos e em pinhais contínuos e sem sub-bosque. Evita locais sem qualquer vegetação arbustiva, mas uma mancha de arbustos isolada com um certo desenvolvimento, possivelmente serve de abrigo e até de local de nidificação. Assim sendo, esta ave pode ser facilmente observada em jardins dos centros das grandes cidades portuguesas. Nas zonas mais abertas e mais áridas onde o coberto arbustivo falta, como por exemplo certas planícies do Baixo Alentejo, é relativamente escasso. Contrariamente, em zonas com bosques e sebes intercalados com prados e campos agrícolas, em bosques de caducifólias e em montados densos com sub-bosque é especialmente abundante.
Em Portugal o melro-preto é residente, no entanto no Inverno as populações são reforçadas com alguns indivíduos vindos doutros locais da Europa, embora estes números sejam poucos significativos. Na Europa as populações das regiões mais setentrionais são migradoras, enquanto que as meridionais são principalmente residentes.
É uma espécie diurna, que pode ser ouvida a vocalizar desde as primeiras horas da manhã até ao crepúsculo.
Tem como principais inimigos naturais o gato-doméstico (Felis silvestris catus), a raposa (Vulpes vulpes), aves de rapina (como o gavião (Accipiter nisus)) e o gaio, que se alimenta dos seus ovos.
Alimentação: Sobretudo invertebrados, sendo estes capturados no solo ou na vegetação baixa. No Inverno também se alimenta de frutos e bagas diversas.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Entre 23,5 – 29 cm.
O macho é todo ele preto, apresentando o bico e o anel orbital amarelos. As fêmeas têm uma plumagem castanha-fuliginosa, garganta mais pálida que o resto do corpo, peito difusamente sarapintado e bico e anel orbital mais escuros e menos amarelos em comparação com o macho. Os juvenis acabados de sair do ninho são parecidos com as fêmeas, mas muito mais pintalgados. Durante o primeiro inverno, os juvenis macho ainda não apresentam os tons vistosos no bico e no anel orbital.
O canto do melro-preto pode ser ouvido desde princípios de fevereiro, tornando-se bastante frequente a partir de março até junho/julho. Durante o verão praticamente não cantam (apenas emitem chamamentos), no entanto no outono, bastante esporadicamente, podem se fazer ouvir.
Ouvir aqui as diferentes vocalizações do melro-preto.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Juvenil

Reprodução
O melro-preto pode ter até 3 ninhadas por ano, sendo a primeira normalmente entre março e abril. A época de reprodução prolonga-se pelo menos até ao mês de julho. Os ninhos têm a forma de uma taça e são construídos em árvores ou arbustos (entre 1 e 4 metros a cima do solo), mas por vezes também em cavidades de escarpas e construções humanas.
As posturas mais frequentes são compostas por 3 a 5 ovos, cuja incubação dura 12 a 14 dias. As crias começam a voar passados cerca de 14 dias após o nascimento. Os casais mantêm-se para sempre e apenas se dividem quando um dos indivíduos morre.
 
Bibliografia
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://maps.iucnredlist.org/map.html?id=22708775
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Melro-preto?bl=1&viewall=true

Mocho-galego (Athene noctua)

O mocho-galego é uma rapina noturna bastante fácil de observar, devido à sua atividade diurna. Também é uma espécie de fácil identificação, não sendo confundível com qualquer outra ave do mesmo grupo.

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Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae
Género: Athene
Espécie: Athene noctua

Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
O mocho-galego é uma espécie que está presente desde a Europa Ocidental e Norte de África, até ao extremo Oriente. Na Europa está ausente na Islândia, Escandinávia, algumas regiões do centro e Rússia. Foi introduzida no Reino Unido. Em Portugal está presente em todo o território, mas é claramente mais abundante a sul do rio Tejo.
É bastante abundante em olivais, montados de azinho e paisagens em mosaico, onde terrenos agrícolas e baldios se intercalam com muros, sebes e bosques. Também pode ocorrer em bosques relativamente fechados, como certos soutos ou montados de sobro e em áreas completamente abertas. Para a ocorrência do mocho-galego é importante que existam locais propícios para a sua nidificação e poisos (como postes elétricos, árvores, rochas, etc) para caçar. É frequente em ruínas de edifícios isolados, mas parece ser raro em bosques onde a coruja-do-mato (Strix aluco) é abundante. Não evita a presença humana, podendo viver junto a habitações.
Os mochos-galegos são muito sedentários, pelo que, muitas vezes, permanecem no mesmo local durante um ano inteiro ou até durante vários anos.
Esta espécie é a mais diurna das consideradas “rapinas noturnas”, podendo ser observada frequentemente tanto durante o dia como durante a noite, embora seja principalmente crepuscular.
Alimentação: Principalmente invertebrados e pequenos mamíferos. As aves parecem ser importantes na alimentação apenas durante a época de reprodução. Também se alimentam de répteis e de anfíbios.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Entre 23 – 27,5 cm.
Envergadura: Entre 50 – 57 cm.
Mocho de pequenas dimensões de aspeto compacto, com cabeça arredondada e grande em proporção com o corpo. Tem patas compridas e cauda curta e não apresenta penachos auriculares. Na face distinguem-se umas “sobrancelhas” largas e brancas. As asas são largas e arredondadas, salpicadas de branco na parte superior, enquanto que a parte inferior do copo é esbranquiçada e riscada de castanho. Não existe dimorfismo sexual evidente. Os olhos são amarelos e o bico é amarelo-esverdeado. Ao contrário dos adultos, os juvenis não possuem pintas brancas na coroa.
Tem um voo rápido e, em distâncias mais longas, ondulante como o dos pica-paus. Quando alarmado, assume muitas vezes uma postura agachada, balançando-se para cima e para baixo excitadamente.
Pode ouvir os vários chamamentos do mocho-galego aqui.

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Reprodução
Os mochos-galegos fazem ninho em cavidades de árvores (principalmente oliveiras, azinheiras e alfarrobeiras), de edifícios velhos, de muros, de escarpas ou de amontoados de pedras no solo. A época de reprodução estende-se de Março a Julho, sendo as posturas normalmente constituídas por 1 a 5 ovos, incubados apenas pela fêmea durante 28 a 33 dias. As crias saem do ninho passados 30 a 35 dias depois de nascerem, mas são alimentadas pelos progenitores durante mais um mês.

Bibliografia
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Catry, P., Costa, H., Elias, G., and Matias, R. (2010). Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. (Lisboa: Assírio & Alvim).
Nicolai, J. (1999). Aves de Rapina. Evereste Editora.
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto.
http://maps.iucnredlist.org/map.html?id=22689328
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Mocho-galego-o-cacador-do-crepusculo?bl=1&viewall=true

Guarda-rios (Alcedo atthis)

O guarda-rios é uma ave que pode ser vista junto a massas de água ricas em peixe. É facilmente distinguível de qualquer outra ave pelas suas cores vivas, sendo uma das mas bonitas aves de Portugal.

""Medidas [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Coraciiformes
Família: Alcedinidae
Género: Alcedo
Espécie: Alcedo atthis

Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
Esta espécie pode ser encontrada por toda a Europa, em certas partes da Ásia (incluindo a Indonésia) e no norte de África (pode ver aqui o mapa do planeta com a respectiva distribuição). É exclusivamente continental e ocorre praticamente por todo o território, embora existam zonas onde não está presente, devido à escassez de habitat favorável. É claramente menos abundante no norte do que no sul.
O guarda-rios é bastante específico no seu habitat, sendo encontrado perto de linhas de água, com preferência nas de pequeno e médio caudal, com curso lento ou moderado. Também pode ocorrer em águas salobras ou salgadas, no entanto, nestes locais é mais raro durante a época de reprodução. Não habitam apenas rios e ribeiras, estando presente também em albufeiras, açudes, estuários, e lagoas. Podem existir noutros locais, mas em números mais reduzidos. É relativamente puco frequente em zonas montanhosas, onde ocorre geralmente até aos 900 m (mas pode em certas ocasiões passar os 1000 m de altitude).
Esta espécie é residente no nosso país, embora possa haver alguns movimentos amplos por parte dos juvenis, mas não ultrapassando a fronteira. É possível que as aves adultas também efectuem pequenos movimentos sazonais, em resposta a condições ambientais adversas (por exemplo, períodos de seca ou pluviosidade intensa). Apesar de tudo grande parte da população portuguesa é sedentária.
Esta é uma ave de hábitos diurnos.
Alimentação: é constituída sobretudo por peixe, mas também em menor escala, de crustáceos e insectos. Os anfíbios são outros organismos que podem fazer parte da dieta do guarda-rios. Quando o guarda-rios captura as suas presas, bate-as contra o poiso de forma a matá-las antes de as comer (pode comprovar este comportamento no vídeo em baixo).

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 17 e 19 cm.
O guarda-rios é uma ave inconfundível, não havendo outra ave parecida no nosso país. Apresenta patas e cauda curtas e bico bastante comprido em comparação com o seu tamanho. Exibe cores vivas, tornando esta ave uma das mais bonitas da nossa avifauna. A coroa e as asas são azuis-esverdeadas e o dorso e a causa são de um azul vivo. As partes inferiores e as manchas das faces são alaranjadas e a garganta e a parte lateral do pescoço são brancas. As patas são avermelhadas. Os machos apresentam o bico todo preto e as fêmeas têm a base da mandíbula inferior avermelhada.
Os juvenis são semelhantes aos adultos, mas com a plumagem mais baça e esverdeada.
Mesmo apresentando todas estas cores pode ser difícil de detectar quando está imóvel à sombra. A sua presença é sobretudo notada quando vocaliza, durante voos rápidos e rectos, sobre a água.
A vocalização do guarda-rios pode ser ouvida aqui.

"Dedicado [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Reprodução
Nidifica nas margens de cursos de água, com alguma vegetação. O ninho é escavado num talude arenoso, sendo constituído por um túnel com alguns metros, que termina numa câmara onde são regurgitadas espinhas de peixe de forma a tornar o ninho mais confortável para as crias.
A época de nidificação tem início em Abril e na Europa cria uma a três ninhadas por ano. A postura é constituída por 6 a 7 ovos e a incubação dura cerca de 20 dias. As crias estão aptas a voar aos 23 dias de idade.

Bibliografia
Catry, P. e outros (2010). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, Lisboa
Almeida, P. e outros. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
Svensson, L. (2012). Guia de Aves (2º edição). Assírio & Alvim, Porto
http://www.iucnredlist.org/details/22683027/0