borboletas

Borboletas: Evolução, Biologia e importância

As borboletas têm conquistado a nossa admiração com a sua beleza ao longo de séculos, sendo atualmente o grupo de insetos mais popular. Estas desempenham um papel importantíssimo nos ecossistemas, bem como nas nossas vidas e são uma ferramenta útil em estudos de qualidade ambiental.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)

Evolução das borboletas
As borboletas diurnas e noturnas formam um grupo de insetos pertencente à Ordem Lepidoptera, muito diversificado, com cerca de 165 000 espécies identificadas em todo o mundo e cerca de 5 000 na Europa. Este número é apenas superado pela Ordem Coleoptera, grupo no qual se incluem os escaravelhos.
Do ponto de vista evolutivo, sabe-se que as borboletas são um grupo relativamente recente, mas ainda restam algumas dúvidas sobre o seu ancestral, uma vez que o registo fóssil a que temos acesso é indiscutivelmente insuficiente para formar uma ideia mais clara. Atualmente pensa-se que os lepidópteros partilharam um ancestral comum com os tricópteros (Trichoptera), à cerca de 250 milhões de anos (Ma.), durante o Pérmico. Foram encontrados fósseis, datados do Triássico, em que a forma se assemelha a uma mariposa, mas não se sabe se correspondiam a mariposas primitivas ou a tricópteros. Apenas em estratos do Cretácico Inferior (120 Ma.) é que se começa a observar indiscutivelmente a uma grande diversidade de mariposas primitivas. As borboletas diurnas terão aparecido também no Cretácico e no Oligocénico (40 Ma.) já existiam as principais famílias, morfologicamente semelhantes às borboletas atuais.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Exemplar de uma borboleta noturna (traça)

Biologia das borboletas
Estes insetos distinguem-se dos restantes por possuírem asas membranosas compostas por pequenas escamas coloridas e por passarem por metamorfoses completas. Outra característica importante é a presença de uma probóscide, uma tromba com a função de sugar o néctar das flores e água do orvalho.
Apesar de algumas espécies serem mais sensíveis e mais exigentes relativamente às condições do habitat do que outras, as borboletas podem ser encontradas praticamente em todos os ecossistemas portugueses. Claro que quanto mais saudável for o ecossistema, ou seja, aquele que apresenta menores vestígios da atividade humana, maior será a possibilidade de estabelecimento de colónias numerosas, de uma maior variedade de espécies. Uma característica interessante é que certas espécies podem ter habitats diferentes ao longo da sua vida: há espécies que habitam enquanto lagarta em zonas onde abundam as plantas de que se alimentam, mas quando adultas procuram outros locais, onde as suas flores preferidas existem em quantidade suficiente para sobreviverem. Posteriormente voltam ao local de origem para depositarem os ovos.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Duas lagartas de borboleta.

A migração não está presente apenas nas aves e nos mamíferos, as borboletas também o fazem, de forma a evitarem condições adversas à sua sobrevivência. Em Portugal há várias borboletas que que realizam estes movimentos: Colias croceus, Vanessa atalanta, Vanessa cardui e Libythea celtis.
A metamorfose completa é uma característica particular das borboletas, que engloba 4 estádios de desenvolvimento: ovo, lagarta, crisálida e inseto adulto. Ao contrário de muitos outros animais, os estados imaturos apresentam uma morfologia e comportamento bem distintos do estado adulto, por exemplo, o regime alimentar é muito diferente entre larvas e adultos. Em algumas espécies, os machos possuem territórios, os quais defendem durante o período de reprodução; noutras os machos possuem comportamento gregário.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Acasalamento entre duas borboletas pertencentes à espécie Plebejus argus.

Porque são importantes?
As borboletas têm um papel crucial nos ecossistemas, desempenhando funções essenciais para que estes se mantenham saudáveis. Tal como as abelhas, são importantes na reprodução de muitas plantas (são insetos polinizadores), existindo inclusivamente flores que são exclusivamente polinizadas por borboletas. Para além disso, as borboletas são a base de muitas cadeias tróficas, servindo de alimento para aves, morcegos e outros animais insetívoros.
Tendo em conta todas estas características e sabendo que têm um ciclo de vida curto e, portanto muitas gerações em pouco tempo, as borboletas permitem uma rápida acumulação de informações da sua biologia e da sua evolução, sendo ideais para o estudo da dinâmica de populações. Certas espécies dependem exclusivamente de uma única planta ou de condições ambientais muito particulares, tornando-as muito sensíveis a alterações do seu ambiente. São, por isso, consideradas espécies indicadoras da qualidade ambiental e da qualidade dos próprios ecossistemas. Assim, os lepidópteros são muitas vezes utilizados em estudos de biologia da conservação.
Apesar da importância para o ambiente e para ciência, este grupo de insetos acaba por ter um impacto direto nas nossas vidas. Normalmente as pessoas gostam de ver borboletas nos seus jardins, assim como há pessoas que percorrem longas distâncias a pé para as observar, contribuindo de alguma forma para uma vida mais saudável. Para além disto, as borboletas também possibilitam economias mas ricas, uma vez que polinizam muitas das plantas que nos servem de alimento e são protagonistas em várias Eco-tours por todo o mundo.

[© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Lycaena alciphron

Referências
Maravalhas, E. (2003). As Borboletas de Portugal. Ernestino Maravalhas
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fauna-e-Flora/content/Origem-e-Evolucao-das-Borboletas?bl=1
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Agricultura-e-Floresta/content/Monitorizacao-de-borboletas-diurnas-e-a-gestao-sustentavel-dos-montados-de-sobro-um-estudo-na-Serra-do-Caldeirao?bl=1&viewall=true
http://butterfly-conservation.org/45/why-butterflies-matter.html

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