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Castor-europeu (Castor fiber)

Sabe-se hoje, sem qualquer dúvida, que o castor-europeu (Castor fiber) existiu em Portugal. As provas resumem-se á toponímia e aos restos de fósseis encontrados em escavações arqueológicas, no entanto, a sua distribuição e data de extinção são menos claras.

Fig. 1 [© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] –  Castor-europeu.

Distribuição Mundial
O castor-europeu (Fig. 1) já esteve amplamente distribuído na Europa e na Ásia, no entanto, no início do século XX a caça excessiva e a drástica destruição de habitat conduziu a uma diminuição assustadora da sua área de distribuição e do número de indivíduos.
Atualmente na Europa apenas se encontram em alguns locais isolados: em certas partes de Ródano (França) e Elbe (Alemanha), no Sul da Noruega, no rio Neman, na bacia do rio Dnieper (Bielorrússia) e em Voronezh (Russia). Foram feitas reintroduções em vários países (ver aqui cor roxa do mapa) que com as apropriadas políticas de gestão e conservação estão a ser bem-sucedidas, notando-se uma expansão rápida destas populações.
Na Península Ibérica o castor-europeu chegou a estar extinto, mas em 2003 foi reintroduzido em Espanha de forma clandestina por um grupo de ativistas.
Está classificado como “Pouco Preocupante” pela IUCN Red list, uma vez que a espécie está a recuperar bem na grande parte da sua extensão de ocorrência.

Ecologia e Identificação
O castor-europeu mede entre 103 e 128 cm, característica que lhe confere o estatuto de maior roedor Europeu. Possui uma cauda larga, horizontalmente achatada e escamosa e os dentes incisivos são grandes e amarelados. A cor do pelo varia um pouco (as formas do Norte são mais escuras do que as do Sul), desde castanho-amarelado a quase preto, mas a tonalidade mais vulgar é a castanho-avermelhado. As patas posteriores estão providas de membranas interdigitais natatórias, tornando o castor um excelente nadador.
Habita preferencialmente vales de cursos de água largos com vegetação arbórea. Quando propício, constrói os ninhos em tocas, caso contrário constrói ninhos que consistem num amontoado de ramos com acessos aquáticos, ficando acima do nível da água. Para manter o nível da água adequado, os castores constroem um elaborado sistema de canais e diques com paus, ramos de árvores e lama, estruturas que podem ter até 50m de cumprimento. Para estas construções têm de cortar várias árvores, que podem ter um diâmetro bastante considerável (Fig. 2)
É sobretudo noturno, mas o pico de atividade é ao fim da tarde quando não há perturbação. Armazenam o alimento nos diques de forma a mante-lo fresco, para que todos os elementos do grupo se possam alimentar durante vários dias. Estes grupos sociais são normalmente constituídos por 5 ou 6 castores: casal adulto, juvenis com 1 ano do verão anterior e juvenis nascidos no presente verão. O castor-europeu é monogâmico e os juvenis permanecem 2 anos no local de nascimento.
Os acasalamentos ocorrem em fevereiro e os nascimentos em junho. A longevidade em estado selvagem é de 7 a 8 anos, mas ocasionalmente podem chegar aos 25 anos.
A dieta é bastante diversificada, consumindo frutos, ervas, insectos e carne.
Durante a primavera e verão alimenta-se de ervas, folhas e ramos de plantas herbáceas e no outono e inverno alimenta-se de arbustos, ramos e cascas de árvores.

Fig. 1 [© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Árvore cortada por um castor.

Distribuição histórica e extinção em Portugal
Atualmente não restam dúvidas de que o castor-europeu existiu em Portugal, provas disto são as toponímias e os vários fósseis encontrados. Outras espécies já existiram em Portugal durante o Mioceno, mas nenhuma parece ter sido abundante.
O castor-europeu não aparenta ter sido uma espécie muito comum durante toda a sua história e a perseguição por parte do Homem piorou ainda mais a sua situação. As peles eram consideradas de luxo e a carne era também muito apreciada. Era usado na medicina como antiespasmódico, ou como afrodisíaco e os óleos produzidos eram usados na perfumaria. Por estas razões a espécie acabou por se extinguir por volta do século XV.
Em Portugal distribuía-se principalmente a norte do rio Tejo (nas principais bacias hidrográficas), em locais com condições climáticas não excessivamente quentes, com fornecimento de águas fluviais permanentes e com pluviosidade superior a 800mm por ano.
O regresso do castor a Portugal é pouco provável uma vez que não existem condições para o reintroduzir. Ter-se-ia que reflorestar vastas áreas com plantas autóctones, de forma a fornecer o habitat e o alimento necessário para a espécie prosperar.

Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Antunes, M.T. (1989). Castor fiber na gruta do Caldeirão. Existência, distribuição e extinção do castor em Portugal.

http://www.iucnredlist.org/details/4007/0

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