leirao

Leirão (Eliomys quercinus)

O leirão (Eliomys quercinus) é um roedor arborícola pertencente à família Gliridae. Este curioso animal é um dos mamíferos mais esquivos da nossa fauna, não se conhecendo de forma exata a  sua distribuição e efetivos populacionais. 

[© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Leirão adulto.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Gliridae
Género: Eliomys
Espécie: Eliomys quercinus
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Informação Insuficiente” (DD). À escala global está classificado como “Quase Ameaçado” (NT) pela IUCN. O leirão tornou-se raro em grande parte da sua área de distribuição, estando em perigo de extinção na Republica Checa, na Eslováquia, na Polónia e na Finlândia.
O leirão é uma espécie europeia, amplamente distribuída pela Europa Ocidental e com populações dispersas no leste e Norte. Em Portugal, ocorre por todo o território continental, embora estudos não confirmem a sua presença em vastas regiões do Centro e Sul e apontem para ocorrências muito escassas e dispersas na restante área. Não há informação sobre o estado das populações portuguesas, mas é sabido que a sua abundância é relativamente inferior à de outras espécies de roedores (ver mapa de distribuição aqui).
Habita variados ecossistemas, como florestas de coníferas e de folha caduca, matagais mediterrânicos, montados e zonas pedregosas com vegetação escassa. É possível encontrar este roedor também em construções humanas, hortas, jardins e pomares. Apesar de toda esta variedade de habitats que o leirão pode ocupar, prefere particularmente florestas de carvalhos. Ocorre desde o nível do mar até altitudes superiores a 1500 m.
Esta espécie tem hábitos noturnos, porém pode estar ativo logo após o amanhecer. Durante o dia abriga-se em ninhos esféricos, construídos normalmente em árvores, revestidos com musgo, pelos e penas ou então aproveita abrigos de esquilos ou ninhos de aves adaptando-os. Durante os períodos mais frios do ano (normalmente entre Setembro e Abril, embora dependa das condições ambientais locais) hiberna em troncos ocos de árvores ou em cavidades de muros e de cavernas. As diferentes espécies de leirão são conhecidas por serem arborícolas, no entanto, esta espécie despende cerca de 1/3 do seu tempo no solo. Cada indivíduo ou grupo ocupa um território definido, com cerca de 150 m de diâmetro, mantendo-se inalterado de um ano para o outro. Como estratagema anti-predatório perdem facilmente a pele da cauda, processo que acaba com as vértebras ao descoberto. Tal como alguns musaranhos, já foi observado várias vezes a mover-se em fila, comportamento designado por caravana.
Alimentação: invertebrados, frutos, sementes, crias de aves e de outros roedores e ovos. Embora omnívoro, a dieta do leirão inclui mais proteína animal do que vegetal.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: entre 19 – 32 cm.
Peso: entre 45 – 120 g (até 210 g antes do período de hibernação).
Roedor com olhos e orelhas grandes. Na região dorsal o leirão apresenta pelagem castanho-avermelhada/acinzentada e branca na zona ventral e nas patas. A cauda é longa, quase do comprimento do corpo, espessa e negra na parte superior, terminando num tufo branco. Uma caraterística identificativa desta espécie é a máscara negra que está presente desde parte inferior das orelhas até aos olhos.

© Jiri Bohdal, todos os direitos reservados] – Leirão adulto.

Reprodução
Os acasalamentos ocorrem logo após a hibernação, em Abril (a época de reprodução estende-se até junho). O período de gestação dura entre 21 e 23 dias e os nascimentos ocorrem entre maio e junho. Podem ter 1 a 2 ninhadas por ano, com 4 a 5 crias.
 
Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Macdonald, D., and Barret P. (1993). Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas, Porto.
Bertolino, S., Cordero, N., Currado, I. (2003). Home Ranges and Habitat use of the Garden Dormouse (Eliomys quercinos) in a Mountain habitat in Summer. Acta Zoológica Academiae Scientiarum Hungaricae 49, 11-18.
http://www.iucnredlist.org/details/7618/0

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