sapo_parteiro

Sapo-parteiro-comum (Alytes obstreticans)

O sapo-parteiro-comum (Alytes obstreticans ) é um pequeno sapo conhecido pelo facto do macho transportar os ovos no dorso, característica que resultou no seu nome comum. Pode ser encontrado em diferentes habitats, mas a presença de massas de água na vizinhança é crucial. 

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Anura
Família: Discoglossidae
Género: Alytes
Espécie: Alytes obstreticans

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Sapo-parteiro-comum adulto.
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
O sapo-parteiro-comum distribui-se pelo Norte de Marrocos, Península Ibérica, França, Norte da Suíça e pela metade meridional da Bélgica e da Alemanha. Em Portugal, ocorre de forma contínua na metade norte e em isolados populacionais no litoral e nas Serras de S. Mamede e Sintra (ver mapa de distribuição aqui).
Habitam variados tipos de habitats, normalmente associados a massas de água permanentes, de forma a possibilitar o prolongado desenvolvimento larvar desta espécie. Entre estes habitats incluem-se áreas de montanha, campos agrícolas, prados, bosques e até zonas urbanas. Ocorrem desde o nível do mar até aos 1960 m, na Serra da estrela.
O sapo-parteiro-comum tem o seu pico de atividade durante o crepúsculo e durante a noite, mas em dias nublados e húmidos também pode se encontra ativo de dia. Não é propriamente uma espécie muito resistente a temperaturas extremas e, por isso, hiberna nas zonas de maior altitude e pode estivar nas zonas mais quentes. Nas regiões mais amenas está ativo durante todo o ano.
A maturidade sexual é atingida no segundo ou terceiro ano de vida, podendo esta espécie viver mais de 5 anos.
Os seus principais predadores são as cobras-de-água (Natrix maura e Natrix natrix), diversos mamíferos carnívoros e aves. As larvas, para além dos animais referidos anteriormente, são predadas por larvas de libélula, outras espécies de anfíbios e escaravelhos aquáticos.
Alimentação: a dieta dos adultos baseia-se em invertebrados, tais como centopeias, escaravelhos, moscas, aranhas e lesmas. As larvas alimentam-se de matéria vegetal e invertebrados aquáticos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: adultos entre 40 – 50 mm; larvas entre 60 – 90 mm.
Sapo pequeno de aspeto robusto, com cabeça grande e focinho arredondado. Tem olhos grandes, proeminentes, pupila vertical e íris dourada com pigmentação negra. O tímpano é bem visível e as glândulas parótidas pouco definidas. Os membros são relativamente curtos e robustos; os anteriores têm 4 dedos e 3 tubérculos palmares e os posteriores têm 5 dedos sem tubérculos palmares.
A coloração dorsal é variável, havendo predominância de tons acinzentados com diversas manchas. Pode apresentar verrugas amarelas ou alaranjadas distribuídas pelo dorso e membros. O ventre é esbranquiçado com manchas e pontos escuros.
O dimorfismo sexual é pouco acentuado, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos. Para além disto, os machos carregam as posturas no dorso tornando-os facilmente distinguíveis durante a época de reprodução.
As larvas são maiores que os adultos e apresentam o dorso acastanhado, com pontos escuros e pequenas manchas quase douradas. Na região ventral predominam cores claras com manchas e geralmente têm uma franja prateada desde o espiráculo até quase ao ânus.
O sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii) é uma espécie bastante similar ao sapo-parteiro-comum, com o qual coexiste em algumas regiões. No entanto, é possível diferencia-los através do número de tubérculos palmares, 2 em A. cisternasii e 3 em A. obstetricans. O sapo-parteiro-ibérico é também uma espécie mais pequena, tem um corpo mais robusto, apresenta o quarto dedo de cada pata anterior mais largo e curto e o dorso é mais rugoso.
Os cantos destas duas espécies são muito parecidos dificultando a sua distinção, mas para além disso é também idêntico a uma das vocalizações do mocho-d’orelhas (Otus scops). Pode ouvir o chamamento nupcial desta espécie aqui.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Sapo-parteiro-comum adulto.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Larva de sapo-parteiro-comum.
 
Reprodução
No início da Primavera os machos começam a cantar perto dos seus refúgios, tendo as fêmeas preferência pelos cantos mais graves, correspondendo aos machos de maiores dimensões. Os machos não têm sacos vocais, mas emitem sons usando a cavidade vocal como caixa de ressonância. O amplexo é inguinal e ocorre, normalmente, em terra. As fêmeas quando estimuladas pelo macho libertam um cordão que contém até 80 ovos. Após o macho fecundar os ovos enrola-os nas suas patas traseiras, podendo cada indivíduo transportar até 3 posturas ao mesmo tempo. Existe a possibilidade de cada fêmea ter até 3 posturas por período reprodutivo. No vídeo em baixo pode ver como é feita a transferência dos ovos.
Passados 1 ou 2 meses os machos deslocam-se a uma massa de água, onde permanecem até todos os ovos terem eclodido.


 
Referências
Cabral, M.J., Almeida, J., Almeida, P.R., Dellinger, T., Ferrand, A.N., Oliveira, M.E., Palmeirim, J.M., Queirós, A.I., Rogado, L., and Santos-Reis, M. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. (Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa).
Almeida., N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., and Almeida, J.T.F.F. (2001). Guia FAPAS Anfíbios e Répteis de Portugal. (FAPAS, Porto)
Caldas, A. (2010). Anfíbios de Portugal. Guia Fotográfico Quercus. (QUERUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s