ouriço

Ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)

O ouriço-cacheiro é um inofensivo mamífero insectívoro pertencente à nossa fauna, encontrando-se muitas vezes no nosso jardim. É conhecido por ter espinhos, que o protege dos predadores.

 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Erinaceomorpha
Família: Erinaceidae   
Género: Erinaceus
Espécie: Erinaceus europaeus
 
Distribuição e Ecologia
Estatuto de Conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
Ocorre na maior parte do oeste europeu, incluindo nas Ilhas Britânicas. Está presente também na Escandinávia (exceto em território mais interior), na zona mais ocidental da Sibéria e no norte da Rússia. Em Portugal ocorre em todo o território, sendo uma espécie abundante. Foi ainda introduzida nos Açores.
O ouriço-cacheiro habita florestas de folha caduca, pastagens húmidas e prados. Também aparece muitas vezes associado a jardins e dunas com vegetação arbustiva. São raros em florestas de coníferas, campos de cereais, terrenos pantanosos e está ausente acima da linha de árvores nas serras.
Esta espécie, à semelhança de outros mamíferos, hiberna e para isso constrói ninhos com gramíneas e folhas, que são semelhantes para os nascimentos no verão. Por vezes usa tocas de coelhos abandonadas. No verão refugia-se na vegetação durante o dia, visto que é uma espécie noturna. É solitário e macho e fêmea não partilham o mesmo ninho, pelo que parece existir um sistema baseado no olfato de forma a evitar contacto. Não é territorial, no entanto pode-se observar alguns encontros agressivos. A visão é pouco desenvolvida, que é compensada pelo olfato e audição.
As principais causas de morte são os atropelamentos e a fome durante a hibernação. Também é predado por alguns animais, como texugos, raposas, martas e muitos outros carnívoros e algumas rapinas. Em média o ouriço-cacheiro sobrevive durante três anos, mas pode chegar aos 10. Quando se sente ameaçado enrola-se, escondendo as partes desprovidas de espinhos e podem gritar como porcos.
Alimentação: Principalmente invertebrados do solo, como escaravelhos, minhocas, lagartas, aranhas, lesmas, etc.. Também pode alimentar-se de vertebrados, como sapos, lagartos, juvenis de roedores e de pássaros, assim como ovos de aves e carne em decomposição.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – cauda: entre 240 – 305 mm.
Peso médio: 700 g. Um animal que não pese pelo menos 500-600g, dificilmente sobreviverá ao inverno.
A identificação do ouriço-cacheiro é muito fácil, visto que é o único mamífero da fauna portuguesa com o corpo coberto de espinhos (cerca de 6 mil), que não são mais do que pelos modificados. Estes espinhos bastante aguçados têm cerca de 2-3 cm de comprimento e estão presentes em todo o dorso; na zona ventral e na cabeça tem pelo grosso e ralo, de cor castanho acinzentado. Os espinhos têm anéis claros e escuros alternados, com uma banda preta na ponta, que fazem variar a cor dos indivíduos entre o amarelado e o acastanhado. Os olhos são grandes, as orelhas pequenas e a cauda é rudimentar. Não existe dimorfismo sexual evidente.
As fezes são depositadas ao acaso, têm uma forma parecida com uma salsicha variável em tamanho (geralmente com um 1 cm de diâmetro e 4 cm de comprimento) e normalmente, são pretas notando-se restos de besouros e de outros insetos. Deixam trilhos bem visíveis nas ervas altas.

 [Foto retirada de http://www.freeimages.com/photo/1240829]
 
Reprodução
A época de reprodução estende-se desde Abril até a Agosto e a gestação ocorre entre Maio e Outubro. Os juvenis começam a reproduzir-se quando fazem 12 meses de idade. O ritual de acasalamento consiste no macho e a fêmea andarem cerca de 1 hora em volta um do outro. Depois da cópula o macho abandona a fêmea, sendo apenas esta que realiza cuidados parentais. Podem existir 2 ninhadas por ano.
O período de gestação dura cerca de 12 semanas, nascendo normalmente 4 a 6 crias (embora possam nascer entre 2 e 10) que abandonam o ninho passados 22 dias. O desmame acontece passadas 4 a 6 semanas do nascimento das crias.

Bibliografia
Macdonald, D. e outros. 1993. Guias Fapas, Mamíferos de Portugal e Europa. Fapas
Almeida, P. e outros. 2005. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Ourico-cacheiro?bl=1&viewall=true#Go_1
http://www.iucnredlist.org/details/29650/0

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