cobreira

Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus)

A cobra-rateira é o maior ofídio de Portugal, podendo medir mais de 2 metros de comprimento. Mas não se deixe enganar, este réptil é inofensivo para o Homem, sendo até bastante útil no controlo de roedores.

"Cobra-rateira[© Armado Caldas, Todos os direitos reservados]

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Colubridae
Género: Malpolon
Espécie: Malpolon monspessulanus
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: “Pouco preocupante” (LC).
Ocorre por quase toda a Península Ibérica (excepto nas zonas mais a norte), no Sul de França e no Norte de África. Na Península Itálica distribui-se apenas na zona mais a noroeste. Em Portugal está presente em todo o país.
A cobra-rateira ocupa uma grande variedade de habitats, como zonas de matos, áreas rochosas abertas, bosques autóctones, estepes, campos agrícolas, pinhais arenosos e jardins. Em Portugal, esta espécie pode ser encontrada até aos 1410 m, na Serra da Estrela.
Trata-se de uma espécie bastante ágil e essencialmente terrestre, sendo capaz de trepar árvores de forma a encontrar um local com boa exposição solar ou então para se alimentar. Também pode ser observada na água, utilizando este meio para fugir de predadores ou para caçar. É tipicamente diurna, embora nos dias mais quentes de Verão possa adoptar hábitos crepusculares. Durante os meses mais frios do ano hiberna e, nas áreas mais a sul da sua distribuição, também pode apresentar um período de estivação.
Tem como inimigos naturais aves de rapina (águia-calçada, águia-cobreira, águia-real, açor, peneireiro vulgar, milhafre-real e milhafre-preto) e mamíferos, nomeadamente o javali e o saca-rabos. A principal estratégia de defesa contra os predadores é a fuga, no entanto, quando se sente encurralada pode tornar-se agressiva. Produz veneno de características neurotóxicas e é uma espécie opistoglifa, o que significa que o aparelho inoculador de veneno está presente na região posterior do maxilar superior. Apesar de tudo não é uma espécie perigosa para o Homem, pois só ataca no caso de se sentir ameaçada e não consegue inocular veneno devido à natureza do seu aparelho inoculador.
A maturidade sexual é alcançada entre os 3 e os 5 anos e pode ultrapassar os 25 anos de idade.
Alimentação: Varia com a idade. Os juvenis numa primeira fase são insectívoros e depois passam a caçar lagartixas. Posteriormente alimentam-se de outras cobras, pequenos roedores, crias de aves que caem dos ninhos e anfíbios. Os exemplares de maiores dimensões podem caçar presas com um tamanho considerável, como juvenis de coelho-bravo e sardões adultos.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Pode ultrapassar os 2 m.
A cobra-rateira é o maior ofídio de Portugal e possui uma cabeça relativamente estreita e pontiaguda, com escamas supra-oculares proeminentes. Os olhos são grandes e a escama frontal é muito estreita e alongada. A coloração dorsal é muito variável, desde o verde oliváceo até ao castanho ou acinzentado, e apresenta tipicamente uma mancha muito escura no terço anterior do corpo. No entanto, alguns exemplares são praticamente uniformes, enquanto que outros apresentam manchas dispersas ou até mesmo listas. A região ventral é amarelada, podendo ter também manchas escuras.
Os juvenis caracterizam-se pelo dorso verde ou castanho uniforme, com machas escuras e claras formando um complexo desenho.
O dimorfismo sexual é pouco evidente, mas para além das fêmeas serem mais pequenas também mantêm o desenho de juvenil durante grande parte da sua vida, principalmente no que se refere às manchas escuras da região pré-ocular.
A cobra-rateira poderá ser confundida com a cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix), distinguindo-se desta por não possuir escamas carenadas e apresentar a escama frontal é mais estreita e alongada.
"Cobra-rateira[Armando Caldas, Todos os direitos reservados]

Reprodução
A época de reprodução inicia-se na Primavera e as cópulas ocorrem entre Maio e Junho. Passado sensivelmente 30 dias a fêmea deposita entre 4 a 20 ovos, debaixo da manta morta, de pedras ou em tocas de coelhos, ou de micromamíferos. O período de incubação dura cerca de dois meses.
 
Bibliografia
http://maps.iucnredlist.org/map.html?id=157262
http://anfibioserepteis.blogspot.pt/search/label/36%20-%20Cobra-rateira
Almeida. P. e outros (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas

2 comentários a “Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus)”

    1. Olá Pedro,
      O problema é que se a cobra for selvagem nunca irá se alimentar estando em cativeiro. Os animais selvagens ficam stressados quando se encontram presos, num ambiente que não é natural e, por isso, não se sentem à vontade de se alimentarem. Assim sendo, a cobra vai acabar por morrer. Se ela tiver sido capturada da natureza sugiro que a liberte. Caso seja uma cobra comprada numa loja de animais, a espécie não será a que refere e deverá continuar em cativeiro.

      Obrigado e cumprimentos
      Daniel Santos

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