comedouro

Como atrair a vida selvagem para o seu jardim?

Se gosta da natureza e de observa-la, desafio-o a seguir algumas das dicas que aqui disponibilizo de forma a desfrutar o máximo desta actividade e ao mesmo tempo estará a ajudar na conservação da natureza.

Fig.1 [Retirada de http://www.sxc.hu/] – Trepadeira-azul (Sitta europea) a alimentar-se num comedouro.

Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, Portugal é um país muitíssimo rico em vida selvagem para o seu pequeno tamanho. Isto deve-se à grande variedade de habitats, que permitem a existência de uma ampla diversidade de espécies.
Para conhecer e observar a natureza não precisa de fazer viagens com destino a parques naturais, com alguma atenção poderá ver muitas espécies nos arredores da sua casa. Claro que quanto mais longe das grandes cidades mais diversidade de espécies poderá observar, mas mesmo em locais urbanizados a natureza está presente.
Se possui um jardim, um quintal ou outro tipo de terreno, com as condições ideais conseguirá atrair várias espécies de aves, répteis, anfíbios e quem sabe de mamíferos para junto de sua casa. Neste artigo disponibilizarei algumas dicas para o conseguir.

Como atrair aves?
Existem vários métodos para atrai aves e o ideal seria o conjunto de todos estes métodos, entre os quais se destacam a colocação de comedouros, bebedouros, caixas ninho e vegetação autóctone.

Fig.1 [Retirada de http://www.sxc.hu/] – Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) a alimentar-se de uma larva.

Comedouros
Os comedouros podem ser comprados ou construídos em casa a partir de materiais reciclados e têm diferentes formas (uns são cilíndricos, outros quadrados, outros são apenas um tabuleiro com comida, etc.). É normal não ver as aves a alimentarem-se nos comedouros logo após a sua colocação, pois estas demoram sempre algum tempo a habituarem-se ao novo objecto; só quando têm a certeza que não constitui qualquer perigo é que se aventuram a consumir o alimento disponibilizado. Por vezes, este tempo de habituação pode durar alguns meses, mas com alguma persistência as aves acabam por visitar os comedouros.
É importante ter em atenção o tipo de comida a utilizar, pois esta determina as espécies que são atraídas. Se usar sementes (sementes de girassol, milho, etc), as principais aves a alimentarem-se vão ser espécies granívoras, enquanto se usar larvas (como os tenébrios) vão ser espécies insectívoras. Este alimento extra à dieta normal das aves é muito importante para aumentar a capacidade de sobrevivência ao Inverno, mas deve ter em atenção a qualidade da comida e deve limpar os comedouros regularmente, de forma a não se desenvolverem fungos. Outro aspecto a ter em conta é a quantidade de comida que coloca, o comedouro deve ter sempre comida, mas não em demasia para que não se estrague e cause problemas às aves.
Na internet há muita informação sobre como construir um comedouro. Na minha opinião a técnica que resulta melhor é a mostrada no vídeo em baixo, pois é um comedouro impermeável, resistente e fácil de fazer, mantendo a qualidade do alimento. Eu construí o meu com uma embalagem de café de plástico e funciona perfeitamente.

Bebedouros
A água disponibilizada para as aves deve ser fresca e sempre que possível com alguma “corrente”. Um bebedouro usado para os pintos é o ideal, pois a água mantem-se fresca e limpa. Apenas compensa usar bebedouros durante os meses mais quentes e secos do ano, no Inverno e no Outono as aves têm água suficiente na natureza.

Caixas ninho
Muitas aves, principalmente passeriformes, utilizam caixas ninho para nidificar. Estas devem ser colocadas num local sossegado, suficientemente alto e com alguma vegetação para as aves não se sentirem ameaçadas. Mais uma vez, como os comedouros, as caixas ninho podem ser compradas ou construídas em casa, utilizando principalmente madeira como material principal. O diâmetro da abertura da entrada determinará quais as espécies que vão adoptar a caixa, ou seja, nas caixas com as aberturas mais pequenas nidificam principalmente pequenos passeriformes (como os chapins) e nas que têm aberturas maiores nidificam os turdídeos.

Fig.1 [Retirada de http://www.sxc.hu/] – Caixa ninho para chapins.

Pode fazer o download deste documento que mostra como se constroem as caixas ninho. Algumas corujas, como as corujas-das-torres (Tyto alba), também nidificam em caixas ninho e que podem ser fabricadas segundo as indicações do seguinte vídeo.

Vegetação autóctone
A plantação de plantas autóctones é talvez a forma mais importante para incentivar as aves a visitarem o seu jardim. A vegetação autóctone atrai vários tipos de invertebrados, num número muito superior do que as plantas exóticas, e os invertebrados atraem aves. Também proporcionam abrigo natural, que torna o ambiente local mais propício à nidificação.

Como atrair Anfíbios e Répteis?
Tal como para as aves a vegetação autóctone é ideal para estes animais, fornecendo alimento e abrigo.
Para os anfíbios, caso possua um espaço suficientemente grande pode construir um charco. Existem dois tipos de charcos, charcos permanentes e charcos temporários: os permanentes não chegam a secar durante o Verão, mas os temporários secam nos meses mais quentes. Ambos os tipos de charcos têm a sua importância, não há um mais importante do que o outro. Os charcos albergam tipicamente várias espécies de tritões e rãs, mas também são importantes para invertebrados, como as libélulas, e para répteis, como as cobras-de-água, o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e cágados. Algumas aves e mamíferos também frequentam estes habitats. Para saber mais sobre a construção de charcos visite este site.
Os répteis para além da vegetação já mencionada precisam de locais com boa exposição solar para se aquecerem. Ao colocar amontoados de pedras está a criar novos locais de abrigo, onde provavelmente verá lagartixas.

Fig.1 [Retirada de http://www.sxc.hu/] – Exemplo de um charco.

Os mamíferos geralmente necessitam de grandes espaços para sobreviver, sem barreiras criadas pelo Homem. Se tiver um terreno suficientemente grande, ao conjugar todas as técnicas aumenta o número de presas e plantas essenciais para a sobrevivência dos mamíferos. Por estes dependerem muito das aves, dos répteis, dos anfíbios e/ou das plantas autóctones, as técnicas descritas anteriormente aplicam-se também a estes seres vivos e, por isso, apenas se fez uma pequena abordagem a este grupo.
Se tiver várias manchas florestais ou várias manchas de jardim deverá liga-las com um corredor ecológico, para que os animais tenham como de passar de um local para o outro de uma forma mais segura.
Todas estas dicas, quando aplicadas, serão capazes de aumentar a riqueza natural do seu espaço e proporcionar-lhe “momentos naturais” que com certeza não esquecerá.

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