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Tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai)

Este pequeno tritão, endémico da Península Ibérica, pode ser visto por quase todo o país. Muitas vezes reproduz-se nos nossos tanques e distingue-se dos restantes tritões por terem o ventre laranja.

Fig. 1 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Tritão-de-ventre-laranja fêmea.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Caudata
Família: Salamandridae
Género: Lissotriton
Espécie: Lissotriton boscai
 
Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: Pouco preocupante (LC). As principais ameaças são a perda de habitat e a introdução/existência de espécies que não pertencem à nossa fauna ou flora.
A espécie é endémica da Península Ibérica, existindo só na metade Oeste. Em Portugal ocorre em grande parte do território, excepto nas zonas mais áridas.
Pode-se encontrar este tritão em prados, bosques e zonas agrícolas. Está associado a zonas com massas de água límpida e fresca muito diversas, como ribeiros com vegetação aquática abundante e corrente fraca, poços, charcos, lagoas, represas, albufeiras e até tanques.
Apresenta uma fase aquática (normalmente corresponde à época de reprodução, embora em alguns locais possa permanecer na água durante todo o ano) e uma fase terrestre. Durante a fase terrestre, tem hábitos principalmente nocturnos, enquanto que na fase aquática tanto pode ser visto de dia como de noite.
Durante os meses mais frios do Inverno e nos mais quentes do Verão pode passar por um período de inactividade, refugiando-se debaixo de pedras ou no fundo de ambientes aquáticos.
Os machos podem viver até aos 6 anos e as fêmeas até aos 9 anos.
O tritão-de-ventre-laranja tem como principais inimigos naturais víboras e cobras de água. As larvas podem ser capturadas por larvas de libélulas, insectos aquáticos, larvas de salamandra e adultos de tritão-marmoreado. Os adultos como forma protecção, possuem glândulas parótidas, que libertam secreções tóxicas.
Alimentação: Durante a fase aquática captura pequenos invertebrados aquáticos. Durante a fase terrestre alimenta-se de animais de consistência mole como minhocas e lesmas.
 
Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Fêmea entre 70-90 mm. Macho entre 65-75 mm.
O tritão-de-ventre-laranja é um pequeno urodelo, que apresenta o ventre laranja (daí o seu nome) com manchas escuras redondas que podem formar filas irregulares nas zonas laterais. A região posterior tem uma coloração variável, predominando os castanhos, verde-azeitona, amarelos e cinzentos e, normalmente, notam-se manchas escuras. É comum apresentar uma linha vertebral mais clara que o resto do dorso.
Cabeça mais larga que alta, com olhos proeminentes (em posição lateral) e glândulas parótidas de pequenas dimensões. A cauda é achatada lateralmente, com crista reduzida ou ausente e os membros são delgados (os posteriores possuem 5 dedos e os anteriores 4).
Durante a fase terrestre, a pele deste tritão fica com uma textura granulosa e mais escura, em oposição à pele mais lisa e clara na fase aquática.
As fêmeas são maiores que os machos e mais robustas, e o desenho dorsal é mais uniforme, com manchas escuras reduzidas. Estas apresentam membros posteriores mais desenvolvidos e cloaca mais pequena. Os machos são mais delgados e com manchas escuras mais evidentes. Durante a fase de reprodução, desenvolve-se uma banda longitudinal branca por toda a cauda, uma crista caudal de pequenas dimensões e um filamento terminal com 0.5-2 mm.

Fig. 2 [© Daniel Santos, todos os direitos reservados] – Tritão-de-ventre-laranja macho.

Reprodução
A época de reprodução prolonga-se de Novembro a Julho, podendo variar consoante a latitude e a longitude.
O acasalamento é precedido de um complexo comportamento de corte e ocorre na água; o macho faz uma série de movimentos e liberta partículas odoríferas na tentativa de atrair a fêmea. Se for aceite, liberta o espermatóforo, que é absorvido pela fêmea a partir da cloaca.
Depositam entre 100 e 250 ovos em águas paradas ou com pouca corrente, na vegetação aquática ou em objectos. Os ovos eclodem passados cerca de 10 a 20 dias após a postura e a duração do período larvar varia com a temperatura da água e disponibilidade de alimento.
Os juvenis atingem a maturidade sexual após 2-4 anos.
 
Bibliografia
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-do-Tritao-de-ventre-laranja?bl=1&viewall=true#Go_1
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas
Caldas, A. (2010). Anfíbios de Portugal. Guia Fotográfico Quercus. QUERUS – Associação Nacional de Conservação da Naturesa.

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