Víbora-cornuda (Vipera latastei)

A víbora-cornuda é uma das duas espécies de víboras que existem em Portugal. É venenosa, mas só ataca quando se sente encurralada. Tem um papel muito importante no controlo de pragas, por isso, merece a nossa protecção e admiração.

"Víbora-cornuda Fig. 1 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Aspecto geral.

Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Viperidae
Género: Vipera
Espécie: Vipera latastei

Ecologia
Estatuto de conservação em Portugal: Vulnerável (VU). Apresenta fragmentação e declínio acentuado da área de ocorrência, da qualidade dos habitats e do número de indivíduos adultos. Área de ocupação inferior a 2000 km2.
Ocorre em quase toda a Península Ibérica (excepto no extremo Noroeste) e também no Norte de África. Em Portugal nota-se a existência de núcleos fragmentados por todo o território.
Necessita de locais com boa insolação, preferindo zonas rochosas de montanha com vegetação, mas também pode aparecer em altitudes mais baixas, desde matagais, campos agrícolas e pinhais do litoral. Em Portugal ocorre desde o nível do mar até aos 1500 metros, na Serra da Estrela.
No Inverno, vários indivíduos de víbora-cornuda agrupam-se em tocas ou sob pedras. Nestes locais entram em período de hibernação, com duração muito variável que está dependente da altitude e latitude.
Tal como a maioria dos répteis, é uma espécie essencialmente diurna, embora nos meses mais quentes possa ter uma actividade crepuscular ou nocturna.
Tem como inimigos naturais outras cobras (ex. cobra-rateira), aves de rapina e mamíferos (javali, saca-rabos, gineta, e ouriço-cacheiro). Na presença destes opta, geralmente, por fugir, embora quando ameaçada sopre e tente morder (o mesmo acontece na presença do ser humano, logo o animal deve ser deixado em paz e, desta forma, não representará perigo).
Produz um veneno proteolítico, podendo ser potencialmente perigoso para o Homem (principalmente para crianças, idosos ou pessoas doentes), visto que é uma cobra solenoglifa (com dentes inoculadores muito especializados, situados na região anterior dos maxilares superiores).
Alimentação: Consiste principalmente em micro-mamíferos podendo ainda capturar lagartixas, juvenis de sardão e de lagarto-de-água e outros répteis não demasiado grandes. Também se alimentam de passeriformes, insectos e outros invertebrados e pequenos anfíbios.

Morfologia Externa e Identificação
Comprimento: Cabeça – corpo: 70 cm no máximo.
É uma víbora de tamanho pequeno, com a cabeça bem diferenciada do corpo, com forma triangular e escamas cefálicas idênticas às do resto do corpo. A cauda é curta e muito mais fina que o resto do corpo. Na extremidade do focinho tem 3 a 7 escamas apicais (é mais comum ter 5) que formam um apêndice nasal, típico da espécie (daí provém o nome “cornuda”).
A víbora-cornuda tem a pupila vertical e a íris amarelada. A coloração do dorso é variável, geralmente cinzenta nos machos e castanha nas fêmeas. Na região vertebral nota-se um desenho que consiste numa banda dorsal escura disposta em zigue-zague. Na cabeça (parte posterior) existem ainda, normalmente, duas manchas escuras que formam um “V” invertido. O ventre pode ser esbranquiçado ou acinzentado, com algumas manchas irregulares.
O dimorfismo sexual é pouco acentuado, sendo que há uma pequena diferença na cor dorsal e para além disso, os machos têm a cauda mais larga a seguir à cloaca e ligeiramente mais comprida.

"Afaste-se... Fig. 1 [© Armando Caldas, todos os direitos reservados] – Nesta foto, são visíveis o apêndice nasal e os dentes inoculadores de veneno.

Reprodução 
A época de reprodução tem início na Primavera (cópula entre Março e Maio), mas pode apresentar ainda um segundo período de actividade sexual entre Setembro e Outubro. As fêmeas não se reproduzem todos os anos. A espécie é ovovivípara (os ovos desenvolvem-se dentro do corpo da progenitora), nascendo 5 a 8 crias, normalmente, no final do Verão.
A maturidade sexual é atingida quando o comprimento corporal ronda os 30 a 40 centímetros; esta espécie pode atingir os 9 anos de idade.

Bibliografia
http://naturlink.sapo.pt/Natureza-e-Ambiente/Fichas-de-Especies/content/Ficha-da-Vibora-cornuda?bl=1&viewall=true#Go_1
Almeida. P. e outros (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. ICNB
Almeida. N. e outros (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas

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